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Mercado informal pode responder por mais da metade do consumo de medicamentos para emagrecimento no Brasil

24 de Junho de 2026, 17:22 1 visualizações
Mercado informal pode responder por mais da metade do consumo de medicamentos para emagrecimento no Brasil

O mercado informal de medicamentos à base de GLP-1, classe que inclui os populares remédios utilizados para emagrecimento, pode representar mais da metade das doses consumidas no Brasil. A conclusão é de um estudo realizado pela Scanntech, empresa especializada em inteligência de dados para o varejo, que estima que o consumo total desses medicamentos cresceu 239% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Como não é possível mensurar diretamente o mercado informal, a empresa utilizou uma metodologia baseada na evolução das vendas de seringas de insulina em farmácias. Segundo a análise, o crescimento desse material de aplicação injetável foi muito superior ao esperado apenas pela demanda de pacientes diabéticos, indicando um aumento expressivo no uso de medicamentos adquiridos fora dos canais tradicionais. “Observamos nas farmácias um crescimento das vendas de seringas de insulina muito superior ao que seria esperado apenas pela evolução do consumo de insulina. Esse excedente nos permite estimar que, possivelmente, mais de 50% das doses de GLP-1 em circulação no país estejam sendo consumidas fora do mercado formal”, afirma Priscila Ariani, diretora de Marketing da Scanntech.

Além de transformar o mercado farmacêutico, o avanço dos medicamentos para perda de peso já começa a produzir efeitos em outros setores da economia. O estudo aponta que o uso de GLP-1 pode estar reduzindo em 0,49% ao ano o volume total de alimentos vendidos nos supermercados brasileiros. O impacto é mais evidente em categorias tradicionalmente associadas ao consumo por impulso, como cervejas, refrigerantes, chocolates, snacks e biscoitos.

Veja quais os produtos mais afetados

Entre os produtos mais afetados estão cerveja (-1,03%), petiscos e snacks (-0,82%), chocolate (-0,72%) e refrigerantes (-0,55%). Por outro lado, a pesquisa identificou crescimento na procura por alimentos frescos, suplementos proteicos, vitaminas, produtos de bem-estar e água mineral, refletindo mudanças nos hábitos de consumo dos usuários.

Para entender melhor o perfil desse público, a Scanntech ouviu mais de 2 mil brasileiros adultos. Os dados mostram que cerca de 6% da população já utiliza medicamentos à base de GLP-1. A maior concentração está entre mulheres de 25 a 34 anos com renda mensal entre 22 mil e 32 mil reais.

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Embora a obesidade apareça como principal motivação para o tratamento, fatores estéticos também têm peso relevante. A perda rápida de peso, o controle do apetite e a manutenção do peso foram citados com frequência semelhante ou superior a algumas indicações médicas tradicionais, como prevenção cardiovascular e controle do diabetes tipo 2.

O levantamento também aponta que o tratamento ainda é custeado majoritariamente pelos próprios consumidores. Cerca de 87% dos usuários afirmam pagar integralmente pelo medicamento, enquanto 72% relatam gastos mensais de até 600 reais. O valor médio informado pelos entrevistados é inferior ao preço oficial de diversas marcas disponíveis no mercado, o que reforça a hipótese de uma forte presença de canais informais de comercialização.

Com a chegada de novos medicamentos e a expectativa de redução de preços nos próximos anos, impulsionada pela queda de patentes e pelo aumento da concorrência, a tendência é de ampliação do acesso aos tratamentos. Segundo a pesquisa, quase metade dos entrevistados afirma que consideraria iniciar ou retomar o uso de GLP-1 caso surgissem opções mais acessíveis no mercado.

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