Meta planeja vender capacidade ociosa de IA e desafiar Amazon, Microsoft e Google
A Meta estuda criar um novo negócio de computação em nuvem para vender a empresas a capacidade excedente de sua infraestrutura de inteligência artificial, em um movimento que pode colocá-la na disputa direta com Amazon Web Services (AWS), Microsoft Azure e Google Cloud. A informação foi publicada nesta quarta-feira, 1º, pela Bloomberg.
Segundo a reportagem, a dona do Facebook, Instagram e WhatsApp avalia oferecer acesso aos seus modelos de inteligência artificial hospedados em sua própria infraestrutura, além de disponibilizar capacidade bruta de processamento para outras empresas. A iniciativa permitiria transformar parte dos investimentos bilionários feitos em data centers e chips em uma nova fonte de receita.
A estratégia representaria uma diversificação importante para a Meta, cuja receita ainda depende majoritariamente da publicidade digital. Também serviria para responder às preocupações de investidores sobre o elevado ritmo de investimentos em infraestrutura de IA.
A empresa tem acelerado os gastos para desenvolver sistemas de inteligência artificial mais avançados. Somente neste ano, as gigantes de tecnologia devem investir mais de 700 bilhões de dólares em infraestrutura de IA, ante cerca de 400 bilhões de dólares em 2025, segundo estimativas do setor.
O próprio CEO da Meta, Mark Zuckerberg, já havia admitido essa possibilidade durante a reunião anual de acionistas, em maio. Na ocasião, afirmou que empresas procuram a Meta com frequência para comprar acesso aos seus modelos de IA ou contratar capacidade de processamento.
“Isso está definitivamente sobre a mesa”, disse Zuckerberg. Segundo ele, a companhia ainda utiliza praticamente toda a infraestrutura para seus próprios projetos, mas poderá comercializar o excedente caso conclua que investiu além da necessidade.
A Bloomberg afirma que uma das alternativas em análise é criar um serviço semelhante ao Bedrock, da AWS, no qual desenvolvedores pagam para utilizar modelos de IA hospedados na infraestrutura da empresa. Outra possibilidade é vender capacidade computacional diretamente, em um modelo parecido com o adotado pela CoreWeave.
A Meta não comentou o assunto. A Reuters informou que não conseguiu confirmar a reportagem de forma independente.
A notícia impulsionou as ações da companhia no pré-mercado de Nova York, que chegaram a subir mais de 8% antes de reduzir parte dos ganhos. Para analistas, o plano pode ajudar a monetizar os investimentos em IA, mas também levanta dúvidas sobre a necessidade real de toda a capacidade computacional que a empresa vem construindo.