Mineração brasileira nos trilhos
O Brasil está entre os maiores produtores e exportadores de minério de ferro do mundo – a commodity foi o terceiro produto mais exportado pelo país em 2025, somando US$ 28,9 bilhões em vendas, atrás apenas de petróleo e soja –, mas ainda tem como obstáculo as deficiências na infraestrutura. Gargalos logísticos continuam elevando custos, reduzindo a produtividade e limitando o aproveitamento de oportunidades no mercado internacional.
A deficiência também limita o potencial de crescimento do país – um estudo do FGV Ibre mostra que cadaR$ 1 milhão investido em transporte pode gerar R$ 3,34 milhões em produção e criar mais de 30 empregos.
Vantagem competitiva
Empresas do setor mineral têm ampliado os aportes em logística para fortalecer sua capacidade comercial. É o caso da Cedro Participações, que prevê investir R$ 5 bilhões até 2031 em projetos voltados à integração entre mineração, transporte ferroviário e operação portuária. Entre as iniciativas está a Ferrovia Serra Azul, em Minas Gerais, concebida para conectar a produção mineral
da região à malha ferroviária nacional e reduzir a dependência do transporte rodoviário. O plano inclui ainda o Porto do Meio, terminal de uso privado em Itaguaí (RJ), projetado para ampliar a capacidade de movimentação de cargas e oferecer maior previsibilidade de escoamento.
“O Brasil reúne reservas minerais competitivas e uma posição estratégica no comércio global, mas transformar esse potencial em liderança exige infraestrutura compatível com a escala da nossa produção. Investir em ferrovia e porto é uma forma de reduzir custos, aumentar eficiência e criar condições para que o minério brasileiro chegue aos mercados internacionais com mais previsibilidade e competitividade”, avalia Lucas Kallas, presidente do conselho da Cedro Participações.”
O valor do minério de alto teor
A busca por produtos alinhados às novas exigências dos mercados globais também vem impulsionando investimentos. Um dos exemplos é o pellet feed, ou minério verde, um minério de ferro de alto teor e baixa sílica utilizado na produção de pelotas para a indústria siderúrgica. De acordo com dados da Cedro, o material pode contribuir para uma redução de até 50% das emissões de carbono na fabricação do aço em comparação com o minério convencional.
Com maior valor agregado e demanda em mercados que buscam reduzir emissões, o pellet feed se tornou um dos produtos mais estratégicos para a mineração global. Para o Brasil, o avanço desse mercado representa uma oportunidade de ampliar sua competitividade. “Nosso país tem todos os elementos para assumir uma posição de liderança na mineração global. Conseguimos produzir insumos cada vez mais alinhados às metas de descarbonização da indústria e avançamos em processos de sustentabilidade de ponta a ponta da cadeia, desde o uso de barragens a seco na extração, até a redução de emissões na indústria siderúrgica”, conclui Kallas.