Morre aos 100 anos Alan Greenspan, ex-presidente do BC americano
O ex-presidente do Federal Reserve (Fed), Alan Greenspan, faleceu nesta segunda-feira, 22. De acordo com notícia da BBC, o economista morreu em casa em decorrência de complicações da doença de Parkinson aos 100 anos de idade.
Alan Greenspan presidiu o Fed entre 1987 e 2006, tornando-se um dos dirigentes mais influentes da história da instituição. Nomeado pelo então presidente Ronald Reagan, ele permaneceu no cargo durante os governos de George H. W. Bush, Bill Clinton e George W. Bush.
Seu período à frente do Fed coincidiu com uma das mais longas fases de crescimento econômico da economia americana, marcada por baixa inflação, expansão do mercado financeiro e avanços tecnológicos.
Logo no início de sua gestão, Greenspan enfrentou o desafio do crash da Bolsa de Nova York de 1987, conhecido como “Black Monday”. O Fed respondeu fornecendo liquidez ao sistema financeiro e sinalizando disposição para sustentar os mercados, uma estratégia que ajudou a conter os efeitos da crise.
A atuação consolidou a reputação de Greenspan como um gestor pragmático e disposto a agir rapidamente em momentos de turbulência.
Ao longo da década de 1990, Greenspan ganhou reconhecimento por conduzir a política monetária durante um período de forte crescimento econômico impulsionado pela revolução tecnológica e pelo aumento da produtividade.
O Fed manteve a inflação sob controle sem impedir a expansão da atividade econômica, contribuindo para a criação de milhões de empregos. Sua habilidade em equilibrar crescimento e estabilidade de preços levou muitos economistas a classificarem o período como a “Grande Moderação”.
Nos anos 2000, entretanto, sua gestão passou a receber críticas por manter os juros em níveis muito baixos após o estouro da bolha das empresas de tecnologia e os ataques de 11 de setembro de 2001. Para diversos analistas, essa política monetária estimulou o crescimento excessivo do crédito imobiliário e ajudou a alimentar a bolha que culminaria na crise financeira global de 2008, já após sua saída do Fed.
O legado de Greenspan permanece objeto de debate. Seus defensores destacam a estabilidade macroeconômica, a baixa inflação e a rápida resposta a choques financeiros durante seus quase 19 anos de mandato.
Já os críticos argumentam que a excessiva confiança na capacidade de autorregulação dos mercados financeiros e a manutenção prolongada de juros baixos contribuíram para desequilíbrios que mais tarde desencadearam uma das maiores crises econômicas da história recente.