Início / Mortes de imigrantes em centros de detenção mais…

Mortes de imigrantes em centros de detenção mais que dobram sob Trump

17 de Junho de 2026, 19:22 0 visualizações
Mortes de imigrantes em centros de detenção mais que dobram sob Trump

A taxa de mortalidade em centros de detenção de imigrantes administrados pelo ICE, a polícia de imigração dos Estados Unidos, mais que dobrou desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca, segundo uma análise da agência de notícias Reuters divulgada nesta quarta-feira, 17. Especialistas ouvidos pela reportagem apontam preocupações com o atendimento médico e a supervisão dos detidos.

De acordo com o levantamento, entre 2009 e 2024 houve, em média, 0,26 morte por 1.000 presos nas instalações da agência. Desde janeiro de 2025, quando Trump iniciou sua nova política de deportações em massa, a proporção passou para cerca de 0,61 morte para cada 1.000 presos, uma taxa 2,36 vezes maior que a primeira.

Os dados foram obtidos pelo Deportation Data Project por meio de pedidos de acesso à informação e processados pelo Vera Institute of Justice, organização sem fins lucrativos voltada ao estudo do sistema prisional americano.

Segundo a Reuters, ao menos 50 pessoas morreram sob custódia do ICE desde o início do segundo mandato de Trump. Especialistas consultados pela agência afirmam que as causas dos óbitos nem sempre indicam negligência, mas consideram o aumento da taxa um sinal de alerta sobre a qualidade da supervisão e da assistência médica oferecidas aos detidos.

O crescimento ocorre em paralelo à expansão da população encarcerada pelo sistema de imigração. Quando Trump tomou posse, cerca de 40.000 imigrantes estavam sob custódia do ICE — número já superior ao mínimo de aproximadamente 14.000 registrado em fevereiro de 2021, durante o governo de Joe Biden e a pandemia de Covid-19. 

Continua após a publicidade

Sob Trump, porém, a população detida disparou para cerca de 70 mil pessoas em seu pico, durante uma grande operação de repressão migratória em Minneapolis, antes de recuar para cerca de 57 mil no início de junho.

Suicídios e problemas cardíacos

Entre as 50 mortes registradas desde janeiro, 21 ocorreram após os detentos serem encontrados inconscientes ou já sem vida, segundo os registros analisados pela Reuters. Dez desses casos foram classificados como suicídio.

Para Sanjay Basu, médico da Universidade da Califórnia em São Francisco e um dos especialistas que analisaram os dados para a agência, esse tipo de ocorrência é particularmente preocupante por poder indicar falhas na supervisão da saúde física e mental dos detidos e demora no atendimento de emergências.

Continua após a publicidade

Ataques cardíacos e outras complicações cardiovasculares responderam por 16 das mortes registradas. A frequência desses casos pode indicar problemas na triagem médica inicial e no acompanhamento de doenças crônicas dentro dos centros de detenção.

Relatórios limitados

Outro ponto levantado pela investigação é a redução da quantidade de informações divulgadas pelo governo sobre as mortes ocorridas sob custódia do ICE. Muitos relatórios recentes omitem detalhes presentes em documentos divulgados em anos anteriores, como histórico médico dos detidos, medicamentos administrados e informações sobre atendimentos de emergência.

Um dos casos citados é o de um imigrante hondurenho que apresentava sintomas de abstinência alcoólica e morreu em uma unidade de Nova York menos de 24 horas após passar por avaliação médica. Segundo a Reuters, o relatório oficial não esclarece se os medicamentos prescritos chegaram a ser administrados nem detalha as medidas adotadas antes da morte.

Continua após a publicidade

O Departamento de Segurança Interna (DHS), responsável pelo ICE, afirmou que está comprometido em garantir um ambiente “seguro, protegido e humano” para os detidos.

Em nota, a porta-voz Lauren Bis declarou que os imigrantes recebem atendimento médico completo desde a chegada às instalações e durante todo o período de permanência sob custódia.

Publicidade

Veja Também

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar.

Deixe seu Comentário

Os comentários passam por moderação antes de serem publicados.