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Motorista que devolveu R$ 131 milhões rebate comentários de que deveria ter gastado o dinheiro: 'Não quero nada dos outros'

22 de Junho de 2026, 19:49 0 visualizações

Motorista devolve cerca de R$ 132 milhões que foram depositados em sua conta por erro Três anos após ficar conhecido por devolver um Pix de R$ 131 milhões, o motorista Antônio Pereira do Nascimento, de 59 anos, reafirma que sua integridade vale mais do que qualquer valor. Ele relatou ao g1 que passou a ser hostilizado e foi alvo de comentários maldosos por sua honestidade em não ter gasto o dinheiro. Pai de quatro filhos e avô de 14 netos, Antônio trabalha como motorista de turismo e vive uma realidade simples. Apesar disso, assim que percebeu que tinha a quantia na sua conta, entrou em contato com o banco para devolver o dinheiro. Em 2024, ele entrou com pedido na justiça cobrando 10% do valor por 'direito de recompensa' e R$ 150 mil de indenização por danos morais. Desde então, ele aguarda uma decisão da Justiça. 📱 Clique aqui para seguir o canal do g1 TO no WhatsApp Antonio é correntista do mesmo banco há 25 anos e descreve sua rotina como uma batalha diária. Ele conta que vive com sua consciência tranquila, mas relata que a atitude trouxe frustrações inesperadas. Após a devolução, ele passou a ser alvo questionamentos sobre sua decisão. "O povo fica enchendo o saco, me pondo na internet, dizendo que eu sou besta demais por não ter pegado o dinheiro. Mas não quero nada dos outros, o dinheiro não era meu, eu não ia gastar", desabafou o motorista. LEIA TAMBÉM: Entenda o que pode acontecer com pedido de esclarecimento feito por motorista que recebeu R$ 131 milhões por engano Motorista que recebeu R$ 131 milhões por engano pede esclarecimento à Justiça sobre decisão; entenda Depósito por engano e disputa judicial: veja cronologia do caso de motorista que recebeu R$ 131 milhões de banco Antônio Pereira do Nascimento Reprodução Ele conta que ouviu de diversas pessoas, inclusive dentro do banco, que poderia ter usufruído de ao menos uma parte da quantia sem que isso gerasse consequências imediatas. “Falou: 'Rapaz, se você pega um milhão não dava em nada. Você podia dizer que ia pagar daqui a 20 anos'”, afirmou Antônio. A frustração de Antônio aumenta ao ver que sua integridade não foi reconhecida pela instituição financeira. Pelo contrário, ele relata ter sofrido pressão psicológica e até cobranças indevidas após o episódio. "Eles sabiam que eu devolvi. Podiam falar: 'Não, rapaz, vamos botar uns 5 mil conto'. Mas não foi nada. Me jogaram no plano VIP e aumentaram minha taxa de R$ 36 para R$ 70 sem eu querer. Eu não tenho dinheiro para ser VIP", lamentou. Antônio contou que foi colocado na categoria VIP automaticamente pelo sistema do banco devido ao valor milionário que entrou em sua conta por engano, o que elevou seu “status” financeiro momentaneamente e resultou em um aumento indevido das tarifas bancárias. O g1 pediu um posicionamento do Banco Bradesco, mas não houve retorno até a última atualização desta reportagem. Relembre o caso O episódio ocorreu em junho de 2023, quando um erro operacional de um banco particular resultou na transferência de R$ 131.870.227,00 para a conta de Antônio. O valor permaneceu disponível por cerca de sete horas. Após a devolução, o caso tomou proporções jurídicas. Atualmente, Antônio move um processo contra a instituição bancária pedindo o direito de recompensa, previsto no Código Civil para quem restitui algo achado, no valor de R$ 13.187.022,00, (10% do total), além da indenização por danos morais. A defesa alega que o motorista sofreu abalos emocionais, exposição indevida e tratamento ríspido por parte do banco durante o processo de devolução. O caso segue em tramitação na 6ª Vara Cível de Palmas. Em decisões recentes de 2024, a Justiça dispensou a oitiva de testemunhas, indicando que o processo caminha para um julgamento antecipado. Veja mais notícias da região no g1 Tocantins.
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