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Mundo corre risco de ‘perder o controle’ da IA, alerta China em apelo por regulamentação

24 de Junho de 2026, 12:16 1 visualizações
Mundo corre risco de ‘perder o controle’ da IA, alerta China em apelo por regulamentação

O mundo corre o risco de “perder o controle” de tecnologias de ponta como a inteligência artificial (IA) se os governos demorarem demais para regulamentá-las, alertou nesta quarta-feira, 24, o primeiro-ministro da China, Li Qiang, aos participantes do chamado “Davos de Verão”.

Os temores de que a IA provoque uma ruptura nos mercados de trabalho e dos seus possíveis riscos de segurança vêm aumentando, desde seu uso em conflitos até violações de defesas cibernéticas e a possível criação de novas armas biológicas.

“A velocidade do progresso tecnológico não tem precedentes”, disse Li em um discurso na cidade de Dalian, na conferência anual organizada na China pelo Fórum Econômico Mundial, que tem sede na Suíça. “No entanto, não podemos ignorar os riscos cada vez mais evidentes de perder o controle da tecnologia e de cometer faltas éticas. Se a governança nessa área não conseguir acompanhar o ritmo, pode haver consequências graves”, completou.

Outros palestrantes foram na mesma linha, descrevendo avanços tecnológicos como motores do crescimento econômico, mas destacando seus aspectos negativos. Mirek Dusek, diretor-gerente do Fórum Econômico Mundial, afirmou na terça-feira à agência de notícias AFP que a IA abre caminho para novas oportunidades em educação, saúde e outras áreas. Porém, depende de como governantes farão a gestão dessa ferramenta.

“Temos sido agraciados com muitos avanços tecnológicos recentemente, mas o principal desafio para os responsáveis pela tomada de decisões em todo o mundo é realmente: como garantir que isso se reflita na economia real?”, disse Dusek.

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Somam-se a essa pressão sobre o sistema econômico internacional a guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, que tem dificultado o transporte marítimo proveniente do Oriente Médio, rico em petróleo. Os ventos contrários levaram o Banco Mundial a reduzir sua projeção de crescimento global para este ano ao nível mais baixo desde a pandemia de covid-19. A economia mundial enfrenta atualmente “um cenário pouco animador”, observou Dusek.

China, o “porto seguro”

O discurso de Li Qiang no “Encontro Anual dos Novos Campeões”, realizado neste ano na cidade portuária de Dalian, no nordeste da China, ofereceu a oportunidade de transmitir uma mensagem ao influente grupo de líderes tecnológicos e empresariais presentes.

O premiê chinês qualificou a economia do gigante asiático como um “porto seguro” em um mundo que agora luta contra “múltiplas crises, entre elas a escassez global de energia e graves interrupções nas cadeias de produção e fornecimento”. O país “injetou uma valiosa dose de certeza em um mundo cada vez mais incerto”, defendeu Li.

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A economia chinesa, a segunda maior do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, tem, contudo, enfrentado dificuldades nos últimos anos para manter o vertiginoso ritmo de desenvolvimento das décadas anteriores. O expressivo boom nas exportações e na tecnologia de inteligência artificial, porém, coexiste com o consumo reduzido das famílias e uma profunda crise de dívida no setor imobiliário, que têm limitado o crescimento desde a pandemia.

Para complicar ainda mais, há a tumultuada relação de Pequim com Washington. Graham Allison, cientista político de Harvard, declarou à AFP em Dalian que uma possível guerra entre as duas grandes potências é uma possibilidade muito real. O acadêmico é conhecido por popularizar a teoria da “Armadilha de Tucídides”, que aponta uma maior probabilidade de guerra quando uma nova potência em ascensão — como a China — compete com uma potência estabelecida, como os Estados Unidos. A recente aproximação entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, porém, é motivo de otimismo, ressaltou Allison.

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