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Na ponta dos dedos: os anéis inteligentes ganham adeptos no Brasil e no mundo

15 de Agosto de 2026, 13:20 6 visualizações
Na ponta dos dedos: os anéis inteligentes ganham adeptos no Brasil e no mundo

Em reuniões, viagens de trabalho ou momentos de lazer, um acessório discreto tem chamado a atenção no dedo de executivos de grandes empresas no Brasil e no mundo — são os smart rings, ou anéis inteligentes. O que parece, à primeira vista, mais um modismo do mundo corporativo, reflete uma mudança na forma como homens e mulheres de negócio enxergam sua produtividade. Para muitos deles, manter um alto desempenho passou a depender do cuidado com a saúde e da análise contínua de dados sobre o próprio corpo. Os anéis inteligentes são equipados com sensores que coletam dezenas de informações, como a temperatura corporal, a frequência cardíaca, o nível de oxigenação, a qualidade do sono e o nível de recuperação após atividades físicas. Os dados são exibidos em aplicativos de celular que se conectam aos smart rings via Bluetooth. Nas versões mais sofisticadas, inteligências artificiais ajudam a criar rotinas de treino e indicam até mesmo o risco de o usuário adoecer no curto prazo.

A finlandesa Oura é a líder desse mercado, que deve crescer 13% neste ano e alcançar vendas globais de cerca de 5 milhões de unidades. A coreana Samsung, a chinesa RingConn, a indiana Ultrahuman e a americana Amazfit, entre outros fabricantes, também oferecem seus modelos. Mariana Fragoso, presidente do grupo de restaurantes Capim Santo, de São Paulo, começou a usar o anel da Oura neste ano por recomendação médica com o objetivo de conviver melhor com a menopausa. Com ele, compreende como a rotina afeta seu bem-­estar. “Percebo quando não estou bem e como isso impacta minha equipe”, diz. Outro adepto é Breno Carolino, vice-presidente da fabricante de bebidas 400FL. O acessório entrou em sua vida há um ano, quando se preparava para uma prova de Ironman, modalidade de triatlo que envolve natação, ciclismo e corrida. Além de acompanhar a recuperação após os treinos, Carolino passou a mapear as reações do corpo a diversos fatores. Ele constatou que a ansiedade aumenta na semana anterior ao fechamento das metas mensais e agora se programa para descansar mais nesse período. “Na terceira semana do mês, durmo sete horas por noite, em vez de seis horas, como nas outras”, diz. “Isso me ajuda a não ter picos de estresse.”

Infográfico comparando cinco anéis inteligentes: Oura Ring, Ultrahuman Ring, Samsung Galaxy Ring, Ringconn e Amazfit Ring. Cada um exibe preço, funções de monitoramento de saúde e compatibilidade com celulares Android e iOS

Pela praticidade e pelas dimensões reduzidas, os anéis atraem também quem utilizava outros acessórios, como os relógios e as pulseiras inteligentes, para monitorar a saúde. É o caso de Alexandre Riccio, que comanda as operações do Banco Inter no Brasil e que se incomodava com seu smart­watch na hora de dormir. Com o tempo, até pequenos hábitos foram revistos com a ajuda do anel, como evitar bebidas alcoólicas ou refeições pesadas antes de ir para a cama. Mais do que seguir um roteiro rígido, as informações ajudam o executivo a tomar decisões conscientes. “Adotar certos comportamentos com um propósito claro faz diferença na minha performance”, afirma. Para o médico Guilherme Moury Fernandes, especializado em esportes e atividades físicas, romper com velhos padrões de conduta é um dos grandes benefícios desses aparelhos. “Eles ajudam a identificar tendências e a mudar as atitudes do usuário”, diz. “Ao ampliar o autoconhecimento, os anéis favorecem também uma conversa mais objetiva entre médico e paciente.”

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Alguns modelos incorporam recursos específicos para a saúde das mulheres. O Ultrahuman Ring Air, por exemplo, utiliza a temperatura corporal e outros indicadores para estimar as fases do ciclo menstrual, incluindo a janela fértil e a provável ovulação. Para escolher o dispositivo mais adequado a suas necessidades, é preciso considerar algumas características. O Oura exige uma assinatura para desbloquear os recursos mais avançados do aplicativo, enquanto o Galaxy Ring é compatível apenas com celulares que rodam o sistema Android 11 ou superior. Outros fabricantes permitem a conexão com aparelhos da Apple, como os iPhones.

Novas tecnologias como essas podem contribuir para reduzir um problema sério: segundo o Ministério da Previdência Social, o Brasil registrou mais de 230 000 afastamentos por motivos de saúde mental no primeiro semestre. Contar com o auxílio de um gadget para monitorar indicadores importantes e lidar com as pressões da vida é uma atitude positiva. Assim, os anéis vão se transformando em autênticas joias para quem deseja cuidar melhor da saúde.

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Publicado em VEJA de 14 de agosto de 2026, edição nº 3008

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