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Nações denunciam ‘ataques’ à ciência em negociações climáticas cruciais

17 de Junho de 2026, 20:53 0 visualizações
Nações denunciam ‘ataques’ à ciência em negociações climáticas cruciais

Negociações cruciais antes da cúpula da COP31 foram frustradas por um “pequeno grupo de interesses ligados aos combustíveis fósseis” que ataca a ciência das mudanças climáticas a portas fechadas, afirmaram enviados diplomáticos nesta quarta-feira, 17. Delegados da União Europeia, a Suíça e dezenas de países em desenvolvimento acusaram alguns governos de minar o consenso científico sobre o aquecimento global durante as negociações climáticas que devem ser concluídas na quinta-feira, 18, em Bonn, na Alemanha.

“Existem interesses poderosos desesperados para proteger sua riqueza e sua influência”, declarou o chefe da delegação de Fiji, Sivendra Michael, cercado por apoiadores vestindo camisetas estampadas com o slogan “A Ciência Não é Negociável”. “Estamos vendo certos países manterem o processo como refém enquanto populações vulneráveis sofrem com o estresse térmico, as marés excepcionalmente altas, as tempestades, a seca e a fome”, acrescentou.

Bonn é o local onde os textos são elaborados e as divergências reduzidas antes das decisões tomadas pelos líderes políticos na COP31, a conferência climática patrocinada pela ONU, que deve começar em 9 de novembro, em Antalya, na Turquia. As negociações preparatórias registraram “ataques coordenados nas salas de negociação por parte de um pequeno número de interesses ligados aos combustíveis fósseis”, afirmou Manjeet Dhakal, assessor do bloco dos Países Menos Desenvolvidos, composto por 44 nações.

Segundo Michael, esses países tentaram retirar dos textos em negociação referências ao Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês), órgão científico especializado da ONU, e à necessidade de limitar o aquecimento global a 1,5°C.

Pressão por adiamento

Nenhum país foi citado nominalmente. No entanto, a Arábia Saudita, grande produtora de petróleo, teria se oposto a uma linguagem que expressava preocupação com o fenômeno climático El Niño e que solicitava ao IPCC atualizações regulares sobre a ciência climática, informou o boletim independente Earth Negotiations Bulletin.

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A Índia sugeriu eliminar qualquer referência a “mudanças irreversíveis”, acrescentou o boletim, que acompanha negociações de tratados da ONU e tem autorização para observar discussões normalmente fechadas à imprensa e ao público. A Arábia Saudita e outros Estados ricos em petróleo têm sido acusados de dificultar a ação climática ao explorar o processo baseado em consenso que rege as Conferências das Partes (COPs) patrocinadas pela ONU.

Índia, Arábia Saudita e China pressionaram para que a próxima grande avaliação climática do IPCC seja adiada por um ano, para 2029, proposta à qual a União Europeia e outros países se opõem. “A União Europeia conclama todas as partes a defender a ciência, apoiar o IPCC e promover a integridade da informação aqui em Bonn e além”, afirmou Demetris Psyllides, representante da União Europeia, composta por 27 países.

Os cientistas afirmam que manter o aquecimento global o mais próximo possível de 1,5°C em relação aos níveis pré-industriais é essencial para evitar os piores impactos das mudanças climáticas. Esse limite foi acordado por quase 200 países no âmbito do Acordo de Paris de 2015, mas poderá ser ultrapassado até 2030.

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Na terça-feira, a presidente e principal negociadora da Aliança dos Pequenos Estados Insulares, a samoana Anne Rasmussen, declarou estar “extremamente preocupada com as tentativas de desvincular e enfraquecer a melhor ciência disponível” nas negociações de Bonn.Ela pediu a todos os países que “parem de brincar com isso. Não abandonem seu compromisso com a meta de 1,5°C”.

(Com AFP)

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