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Neymar e traições no dia da infâmia para o futebol brasileiro na Copa

17 de Junho de 2026, 11:56 0 visualizações
Neymar e traições no dia da infâmia para o futebol brasileiro na Copa

O Brasil chegou à Copa sem um time. mas há bons jogadores no elenco e algum tempo ainda pela frente para as coisas engrenarem. Milagres acontecem nos Mundiais e o jeito mesmo é rezar por dias melhores. O que não terá solução é o triste espetáculo que seguirá em cartaz relacionado à convocação de Neymar. Ele já não vinha se destacando mesmo nas raras vezes em que entrava em campo no Campeonato Brasileiro. Voltou à seleção em pior situação. Contundido, encontra-se no estaleiro há um mês. Se tudo der certo, terá alguma chance de entrar em campo no último jogo da primeira fase, embora o mais provável seja que isso só ocorra nos mata-matas. Mesmo assim, serão apenas alguns minutos e o desafio será ganhar ritmo de competição em plena disputa das fases decisivas do Mundial. Sendo que Neymar nunca foi um craque que se destacou pela disciplina e abnegação.

O tom farsesco dessa história ganhou imagens definitivas na terça, 16. Com o aumento das cobranças sobre a falta de transparência no status médico do jogador, houve uma clara tentativa de mudar o noticiário negativo. Eis que ele reaparece no gramado, calçando tênis e dando uma embaixadinhas. Nem o mais ingênuo dos torcedores vibrou com a cena. Esse retrato ficou ainda mais deprimente por ter sido visto no mesmo dia em que craques como Messi, Haaland e Mbappé deram espetáculos por suas respectivas seleções. A comparação entre o Neymar das embaixadinhas e esses talentos que vêm brilhando mostra o abismo que há entre o Brasil e times como o da Argentina e da França.

Ironicamente, na mesma terça do “retorno” de Neymar aos gramados, circularam notícias sobre o vazamento de fotos de uma suposta relação extraconjugal do presidente da CBF, Samir Xaud. O escândalo foi publicado na coluna do jornalista Léo Dias e a acusação é de que a uma das mulheres envolvidas no caso teve a viagem aos Estados Unidos bancada pelos cofres da entidade. Em nota, a CBF negou tudo, mas o estrago estava feito. Xaud, sorridente e onipresente nos eventos ligados à seleção, sumiu do pedaço depois do vexame público.

É interessante a coincidência de os casos das embaixadinhas de Neymar e do rolo envolvendo Samir terem ocorridos no mesmo dia. São fatos sem qualquer ligação entre si, é verdade, mas não deixam de ser emblemáticos do que se tornou a seleção brasileira. De um lado, um cartola que era desconhecido até ser ungido à presidência da CBF por um conchavo de dirigentes, depois da batalha judicial que apeou do poder o antecessor dele (outro desconhecido, diga-se, sem qualquer nota no currículo de algum serviço relevante prestado ao esporte do país). É o tipo de bagunça que abre portas para a convocação de um ídolo na atual condição de Neymar.

Faltou apenas a trilha sonora de Rocky Balboa para criar aquela sensação de que as corridinhas de tênis no gramado vão ser o início de uma volta por cima. Funciona em Hollywood, dificilmente vai funcionar na vida real. Essa convocação nem faz bem à imagem de Neymar, ainda que ele pouco se importe com isso — ou talvez só vai se importar se isso irá afetar a fabulosa máquina de negócios de publicidade em torno dele.

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Nem todo o esforço de relações públicas e de tentativa de mudança de assunto vai apagar o que aconteceu na terça, 16, o dia da infâmia ao futebol brasileiro na Copa.

 

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