‘Nikolas Ferreira da esquerda’, Pedro Rousseff quer comandar guerra digital do PT
Escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para coordenar a estratégia digital do PT para as eleições de 2026, o vereador de Belo Horizonte Pedro Rousseff afirmou que o partido se prepara para uma disputa nas redes sociais e defendeu uma divisão de tarefas entre o presidente e seus aliados.
Em entrevista ao programa Ponto de Vista, de VEJA, apresentado por Laísa Dall’Agnol, o petista afirmou que caberá a Lula manter uma postura institucional, enquanto a militância e lideranças do campo governista terão papel mais combativo.
Sobrinho-neto da ex-presidente Dilma Rousseff, Pedro disse que foi encarregado de tornar a comunicação do governo mais simples e eficiente. Segundo ele, o PT vem promovendo uma transformação em sua estratégia desde a derrota para Jair Bolsonaro em 2018, abandonando a predominância das campanhas presenciais em favor de uma atuação mais intensa no ambiente digital.
Na entrevista, o vereador citou o lançamento do programa “Porta-Vozes do Presidente Lula”, apresentado em Brasília na última semana. De acordo com ele, a iniciativa busca fortalecer a presença do governo nas redes sociais e ampliar a capacidade de resposta a ataques e conteúdos falsos. “A gente precisa ter soldados do presidente Lula para poder defender ele em cada fake news”, afirmou.
Ao ser questionado pelo editor de VEJA, José Benedito, sobre os limites dessa batalha digital, Pedro Rousseff fez uma distinção entre o papel desempenhado pelo presidente e a atuação dos aliados. Segundo ele, Lula deve permanecer concentrado em anunciar obras, programas sociais e políticas públicas, preservando uma imagem voltada à estabilidade e ao desenvolvimento.
Já os integrantes da base governista, afirmou, terão uma função diferente. “A gente precisa mostrar e arrebentar o Flávio Bolsnonaro para todo o país. O nosso papel é desgastar o Flávio até que ele vire pó”, declarou, ao defender uma postura mais agressiva contra nomes ligados ao bolsonarismo. Para Pedro Rousseff, deixar de fazer esse enfrentamento tornaria a campanha governista vulnerável.
“Se nós não temos essa figura para poder mostrar a verdade sobre os bolsonaristas para o Brasil inteiro, a nossa campanha também não vai para frente e vira um alvo muito fácil”, afirmou.
Durante a conversa, Laísa Dall’Agnol observou que o vereador vem sendo tratado por alguns como uma espécie de “Nikolas Ferreira da esquerda”, em razão da forte presença nas redes sociais e do perfil combativo. Pedro explicou por que considera injusto o paralelo com o deputado federal do PL.
“O Nikolas nada mais faz do que bater”, afirmou. Segundo o vereador petista, o parlamentar mineiro se dedica à oposição e à disseminação de fake news, enquanto o grupo ligado ao presidente Lula estaria concentrado na defesa do governo e na divulgação de investimentos e obras realizadas pelo Executivo.
Apesar de rejeitar a comparação, Pedro reconheceu a importância de lideranças jovens e capazes de disputar espaço nas plataformas digitais. Para ele, a política mudou e a esquerda precisa ampliar sua influência nas redes para enfrentar a direita e evitar perder não apenas eleições, mas também a disputa pelas narrativas.
“Se a gente não se transforma para isso, para ter influência pelas redes sociais, a gente vai perder a guerra. Não só política eleitoral, mas a narrativa que fica para a história”, disse.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.