No G7, Trump sugere que pode voltar atenção à Ucrânia para ‘encerrar outra guerra’
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira, 16, que “a Rússia deveria alcançar um acordo” com a Ucrânia, durante a reunião de cúpula do G7 na França, onde seus aliados tentam convencê‑lo a intensificar seu apoio a Kiev contra Moscou.
“A Rússia deveria alcançar um acordo. A Rússia perdeu uma quantidade enorme de pessoas, e a Ucrânia também”, declarou Trump a jornalistas após uma reunião bilateral com o emir do Catar. “A única razão pela qual me envolvo nisso é que não gosto de ver a morte de 25 mil jovens a cada mês. Reconheçam que tudo isso é ridículo. Então, sim, farei tudo o que puder para acabar com isso”, acrescentou.
Eufórico após o anúncio do acordo com o Irã, Trump chegou na segunda-feira à cidade francesa de Evian, sede do encontro de cúpula, dizendo ter intenção de “fazer algo” sobre o conflito na Ucrânia, que já dura mais de quatro anos. O americano confirmou nesta terça que teve uma “reunião” na véspera com seu homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky, e que outras conversas estavam previstas ao longo do segundo dia de cúpula.
Apelos a Trump
O presidente ucraniano chegou nesta terça-feira a Evian com o objetivo de conseguir uma reunião bilateral com Trump. O último encontro entre os dois líderes aconteceu no fim de dezembro, na residência do americano em Mar-a-Lago, na Flórida. Após os novos ataques perpetrados na segunda-feira pela Rússia, que deixaram ao menos 11 mortos e provocaram o incêndio de uma catedral histórica em Kiev, Zelensky pediu “mais pressão” sobre Moscou e “mais apoio à defesa aérea da Ucrânia”.
Os aliados do G7 concordaram, durante a sessão de trabalho dedicada à segurança da Europa e da Ucrânia, em “aumentar a pressão sobre a Rússia por meio de sanções sobre o gás e o petróleo”, a principal fonte de financiamento da guerra de Moscou, disse uma fonte diplomática francesa à agência de notícias AFP. Os governantes também o apoiarão “fornecendo à Ucrânia meios de defesa antiaérea, meios para se proteger melhor, meios para consolidar os avanços” de Kiev, acrescentou a fonte.
Zelensky já conta com o apoio inabalável dos líderes europeus e do Canadá. O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, falou em tom otimista e acredita que a reunião do G7 “poderia começar a abrir lentamente uma janela para a diplomacia” com objetivo de encerrar a guerra no Leste Europeu por meio da mediação de Washington. Para agradar o presidente americano, Merz o presenteou com um uniforme da seleção alemã de futebol com seu sobrenome e o número 47, em referência ao seu mandato como 47º presidente dos Estados Unidos.