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Nova safra de radicais americanas: são as mulheres mais de esquerda

06 de Julho de 2026, 10:30 12 visualizações
Nova safra de radicais americanas: são as mulheres mais de esquerda

“O país está à beira da revolução política pela qual lutamos durante tanto tempo”, comemorou o veterano senador Bernie Sanders, que nem se dá mais ao trabalho de disfarçar os ímpetos revolucionários. Aos 84 anos, ele vê motivos reais de euforia: uma nova safra de jovens mulheres que estão conquistando eleições primárias para se candidatar como deputadas pelo Partido Democrata, sigla que usam, embora todas sejam de extrema esquerda. O movimento pendular da política, com um Donald Trump bem à direita, pode acabar contribuindo para o que parecia impossível: a precursora do radicalismo feminino, Alexandria Ocasio-Cortez, ganhar a candidatura presidencial. Atualmente ela tem o apoio de 26% dos eleitores democratas, um número sólido, com espaço para crescer.

As outras políticas em ascensão têm todas um perfil parecido com o de AOC: estão na faixa dos 30 anos, falam como o mais radical líder de centro acadêmico – normal, pois foram doutrinadas nas universidades – e pertencem a minorias étnicas. São nomes novos que surgiram subitamente no universo político.

Darializa Avila Chevalier, descendente de dominicanos negros, deletou postagens antigas incentivando “tomar os meios de produção” e elogiando o fuzilamento da família imperial russa – “gente que os bolcheviques puseram no liquidificador tipo por 90 minutos”. Mas mantém o apoio à abolição não só da polícia, mas de toda e qualquer prisão.

Parece infantil, mas só para quem não conhecer a linguagem de alguém que está fazendo pós-graduação em sociologia há sete anos.

AS URNAS CONFIRMAM

Outra socialista democrática, Melat Kiros, que ganhou a candidatura pelo estado do Colorado, já disse que o massacre de 1,2 mil pessoas em Israel, em 7 de outubro de 2023, foi “a consequência inevitável do apartheid”. A família dela é da Etiópia, país que já teve um dos regimes comunistas mais radicais do mundo, responsável, entre outras desgraças, pela coletivização do campo que provocou uma fome de consequências catastróficas.

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Quem acompanha os debates políticos pelas redes já conhece bem o perfil: mulheres jovens com ideias tão esquerdistas que parecem inventadas. Além de Alexandria, descendente de porto-riquenhos, jogam nesse campo atualmente, Ilhan Omar (Somália) e Rashida Tlaib (filha de palestinos). Em lugar de celebrarem o país onde tiveram tantas oportunidades, dedicam-se a abominá-lo e a promover a “revolução” de que falou Bernie Sanders.

As urnas confirmam a tendência esquerdista também entre o público. Em 2024, 54% dos homens votaram em Donald Trump, contra 44% para Kamala Harris (mãe indiana, pai jamaicano). O voto feminino foi exatamente o inverso. Entre as mulheres negras, o apoio a Kamala foi de 92%, contra 7% para Trump.

Uma pesquisa Datafolha da semana passada mostra resultados parecidos no Brasil: 50% dos homens se declaram de direita, contra 33% de esquerda. Entre as mulheres, os números são de 44% à esquerda e 37% à direita.

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Tradicionalmente, a explicação para o voto mais à esquerda das mulheres é que estas, como mães, são mais vulneráveis e dependentes de benefícios sociais, enquanto os homens tendem a valorizar mais o trabalho e o esforço próprio. Obviamente, é uma explicação simplificadora, mas com vasos conectantes com a realidade.

MISÓGINOS E AGRESSIVOS

Acrescentem-se as questões comportamentais, como o desdobramento das ideias feministas contemporâneas, com a tendência a afastar e até discriminar os homens, o que empurra uma fatia dos jovens para os braços de influenciadores misóginos e agressivos.

Curiosamente, a ascensão das mulheres esquerdistas coincide com uma safra consolidada de líderes direitistas em países europeus, como a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, a presidenciável francesa Marine Le Pen (sua candidatura será definida esta semana), a alemã Alice Weidel, que concilia a vida assumida como lésbica com o partido mais à direita de todos, e a britânica Kemi Badenoch, a melhor porta-voz do pensamento conservador de raiz, sem nada de componentes fascistóides, atualmente em ação no mundo político.

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Irá Alexandria Ocasio Cortez ser um contrapeso de esquerda nos Estados Unidos? Terá chances contra um candidato republicano? Como seria um debate entre ela e JD Vance, o possível candidato presidencial da direita? E iria Donald Trump transmitir o poder a ela, no caso de vitória? São questões que pareciam impensáveis há algum tempo atrás.

Bem pouco tempo, por sinal.

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