Novas mortes por metanol ressuscitam PL que endurece combate à falsificação de bebidas
Novos episódios envolvendo mortes e intoxicações graves provocadas pelo metanol reacenderam a pressão dentro do Senado pela apreciação do projeto que endurece o combate à falsificação de bebidas e combustíveis.
Frentes parlamentares e líderes estão à frente de articulações para tentar viabilizar a apreciação do texto já aprovado pelos deputados no ano passado, na esteira da crise das bebidas adulteradas com metanol.
Um requerimento de urgência para acelerar a tramitação da proposta já está nas mãos do presidente da Casa, Davi Alcolumbre.
A proposição cria instrumentos para endurecer o combate à falsificação de bebidas, combustíveis e alimentos, além de aprimorar a responsabilização criminal de quem atua no mercado ilícito. Nos bastidores, defensores da proposta avaliam que a aprovação simbólica na Câmara demonstrou consenso suficiente para que o texto avance também no Senado.
Entre os mecanismos previstos está o reforço da rastreabilidade dos combustíveis comercializados, tema tratado no artigo que combate a chamada “bomba branca”, prática pela qual postos vinculados a uma determinada bandeira comercializam combustível de origem paralela à informada ao consumidor e que, segundo apontado em investigações, pode ter favorecido o desvio do metanol para a adulteração de bebidas.
A medida busca ampliar a transparência, fortalecer a rastreabilidade e dificultar fraudes que comprometem a fiscalização e favorecem a circulação de combustíveis adulterados.
Especialistas em fiscalização do setor apontam que ocultar a origem dos combustíveis dificulta a atuação dos órgãos de controle e pode favorecer a inserção de produtos irregulares na cadeia de abastecimento.
Defensores da proposta argumentam que a medida pode ampliar a proteção ao consumidor, reduzir espaços para a atuação do mercado clandestino e fortalecer mecanismos de controle sobre a cadeia de combustíveis. A proposta não afeta, em nada, os postos bandeira branca legalmente estabelecidos, mas busca apenas impedir que práticas enganosas da bomba branca, que tenham ocorrido nos postos bandeirados, confundam o consumidor sobre a real origem do produto.
Embora ainda não haja definição sobre a data de votação, interlocutores da proposta avaliam que o tema reúne apoio crescente entre diferentes lideranças e frentes parlamentares, impulsionado pelo impacto social das recentes tragédias envolvendo o metanol e pela percepção de que o enfrentamento ao mercado ilegal exige instrumentos mais robustos de fiscalização e responsabilização.