Novo artigo questiona antiga teoria que explica a extinção dos neandertais
Novo artigo publicado na Nature na última quarta-feira, 24, contesta a teoria de que neandertais viviam em povos fragmentados e tinham dificuldade para se perpetuar, o que levou a sua extinção. Segundo o estudo, esses nossos ancestrais eram saudáveis, se reproduziam normalmente e viviam em grupos bem conectados.
O DNA dos Homo neanderthalensis pode ser encontrado nos seres humanos vivos até hoje, porém essa espécie foi extinta há cerca de 40.000 anos. O motivo pelo qual os neandertais deixaram de existir ainda é incerto, porém o artigo veiculado no periódico científico britânico na última semana divulgou uma informação importante para o entendimento desse fato.
O questionamento de teorias antigas e a proposição de uma nova ideia por parte dos pesquisadores surgiu após a análise do material genético de 27 neandertais tardios que viveram no noroeste da Europa.
Teorias antigas
As teorias que explicam a extinção dos neandertais foram mudando nas últimas décadas devido, principalmente, ao avanço da tecnologia de análise genética. No começo deste século, acreditava-se que esses “parentes” dos seres humanos tinham um comportamento e cognição primitivos comparados aos do Homo sapiens. Em razão dessa característica e da competição com outras espécies, os neandertais deixaram de existir há 40 mil anos. Essa teoria defendia que os Homo sapiens, dessa maneira, eram nossos únicos descendentes.
Porém, em 2010, foi feita a primeira análise de DNA de um neandertal e descobriu-se que houve miscigenação com outras espécies como, por exemplo, Homo sapiens. A partir desse aprofundamento sobre o gene do Homo neanderthalensis, também surgiu a hipótese de ter havido uma fragmentação e encolhimento – por conta de mudanças ambientais ou conflitos naturais – na espécie ao longo do tempo. Essa ideia veio, principalmente, depois da análise do DNA de um neandertal encontrado na Rússia. No gene desse indivíduo foi descoberto um alto grau de consanguinidade, o que levou a teoria de que os irmãos da mesma espécie reproduziam. Em função de doenças genéticas geradas por essa forma de reprodução, a extinção veio à tona.
Nova hipótese
Porém, diferente das teorias antigas, a análise genética publicada no novo artigo mostra que os neandertais não se reproduziam com seus parentes próximos, assim como a espécie não vivia em grupos isolados. Os Homo neanderthalensis, na verdade, eram uma população que ocupava uma região grande, bem conectada entre si e saudável.