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O alerta do Banco Central a Lula sobre juros e política fiscal

11 de Agosto de 2026, 08:37 8 visualizações
O alerta do Banco Central a Lula sobre juros e política fiscal

A política fiscal do governo brasileiro continua sendo um ponto de alerta para o Banco Central. Na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta terça-feira, 11, a autoridade monetária afirmou que o enfraquecimento da disciplina fiscal, o aumento do crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública podem elevar a taxa de juros neutra da economia e aumentar o custo do processo de desinflação.

O alerta do BC é um recado ao governo Lula, especialmente em um ano eleitoral marcado por políticas de estímulo adotadas pelo presidente nos últimos meses. Na avaliação do Copom, um fiscal que contribua para reduzir a percepção de risco favorece a convergência da inflação para a meta, enquanto o aumento das incertezas sobre a dívida pode dificultar esse processo.

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Segundo o comitê, a política fiscal tem impacto sobre a economia por dois caminhos. No curto prazo, atua principalmente por meio do estímulo à demanda agregada. Em uma perspectiva mais estrutural, uma percepção maior de risco fiscal pode elevar o custo de financiamento da economia e dificultar a atuação da política monetária, exigindo maior restrição dos juros para produzir o mesmo efeito sobre a inflação.

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O tema já havia aparecido no comunicado divulgado após a reunião da semana passada, quando o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano. Na ocasião, o comitê incluiu entre os riscos para a inflação uma combinação de políticas econômicas externa e interna com impacto maior que o esperado, além de estímulos à demanda agregada, especialmente ao consumo.

Na ata, o Banco Central também reforçou que uma política fiscal contracíclica e capaz de reduzir o prêmio de risco contribui para a convergência da inflação. O comitê afirmou manter a convicção de que as políticas econômicas devem ser “previsíveis, críveis e anticíclicas” e destacou novamente a necessidade de harmonia entre as políticas fiscal e monetária.

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O alerta ocorre em um cenário de expectativas de inflação ainda acima da meta. Segundo a ata, as projeções do Focus para 2026 e 2027 estão em 5% e 4,2%, respectivamente. A projeção do próprio Copom para o primeiro trimestre de 2028, atual horizonte relevante da política monetária, está em 3,2%.

O Copom reduziu a Selic para 14% na última reunião, mas nem o comunicado nem a ata indicam quais serão os próximos passos. No documento divulgado nesta terça-feira, o BC afirma que a magnitude do ciclo de calibração será ajustada “de acordo com a evolução do cenário”, em meio a riscos elevados e assimétricos para a inflação.

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