“O Anteparo”: novo romance mistura terror, ocultismo e abolição na Paraty do século XIX
O juiz federal José Eduardo Leonel está de volta ao mundo literário com seu novo romance, intitulado “O Anteparo”. O roteiro, que se desenvolve na cidade de Paraty, no litoral fluminense, durante o século XIX, narra a trajetória de David Gotardo. O personagem é filho de um senhor de engenho já falecido, que decide libertar os escravizados de suas terras e contratá-los como empregados. As ações do protagonista despertam a ira das elites locais, o que inicia uma violenta disputa pelo poder regional.
Para ambientar e resgatar o clima da Paraty oitocentista, o narrador combina os fatores históricos que marcaram o período, a exemplo da eclosão do movimento abolicionista, com elementos intrigantes do ocultismo e do terror psicológico. A narrativa explora também temas complexos como traições familiares e mistérios sobrenaturais, que são diretamente baseados em lendas folclóricas da própria região.
A história se passa exatamente entre a passagem de 1850 para 1860, época em que o município litorâneo desfrutava de notável prosperidade econômica. Esse sucesso ocorria por conta de um porto que era passagem obrigatória para o escoamento do café do Vale do Paraíba para o Rio de Janeiro. Leonel explica que esse diferencial da cidade “só foi se perder por volta da década de 1870, com a crescente construção da ferrovia Dom Pedro II, que passou a ligar diretamente os cafeicultores com a Capital, excluindo Paraty de qualquer rota comercial relevante”, justifica.
O lançamento da editora Labrador antecipa o clima da Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP), que se aproxima, destacando-se pela relevância dos relatos orais e a força das personagens femininas. A obra entrega aos leitores reviravoltas que combinam suspense com a denúncia dos conflitos sociais, políticos e raciais que ergueram aquela sociedade sobre a exploração humana.
“O Anteparo” já está disponível e pode ser adquirido em formato físico e digital.