O bilionário dono de estádio do jogo do Brasil x Escócia na Copa
Um fato inusitado marca o confronto do Brasil contra a Escócia nesta quarta-feira, 24): o estádio de Miami ou Miami Stadium, como passou a ser chamado pela Fifa. A grama natural é criada na fazenda do bilionário Stephen Ross, proprietário do estádio e dono do Miami Dolphins, um dos clubes mais tradicionais da NFL.
A fazenda, de 323 mil m², fica perto de West Palm Beach, na Flórida, o que faz com que a troca de grama para esses eventos seja facilitada. A criação da grama para a prática esportiva reúne uma operação com quase 5 mil funcionários e fez com que toda a desmontagem do GP de Miami, realizado em 3 de maio, acontecesse em poucas semanas para a montagem do gramado para a Copa do Mundo. Ao mesmo tempo, quando os jogos do Mundial terminarem em julho, começarão os trabalhos para preparar o local para o retorno da NFL e do futebol americano universitário.
“Hard Rock Stadium representa uma tendência mundial. Os estádios precisam gerar receita durante todo o ano e, para isso, recebem cada vez mais eventos diferentes. O grande desafio é manter um gramado de alto desempenho mesmo com essa intensa utilização. Felizmente, a evolução das tecnologias de construção, drenagem, irrigação e manutenção permite que isso aconteça sem comprometer a qualidade do campo”, aponta Roberto Gomide, founder & CEO da World Sports, empresa especializada na construção e manutenção de gramados esportivos, que tem escritórios no Brasil e nos EUA.
Aos 86 anos, Ross é um incorporador imobiliário, filantropo e proprietário de equipes esportivas americano. É o presidente da Related Companies, uma empresa global de desenvolvimento imobiliário que ele fundou em 1972. O estádio de Miami, local do jogo desta noite, também é marcado por receber os maiores eventos do mundo. No total, já promoveu seis edições do Super Bowl, jogo que define o campeão da liga de futebol americano dos Estados Unidos ao final de cada temporada.
Neste ano, foi montado no meio do estádio um enorme espaço que abrigou uma quadra de tênis com grama, para a realização do Miami Open. Inclusive, um dos recordes de público para esse evento foi o confronto entre o brasileiro João Fonseca e Carlos Alcaraz, com 17 mil espectadores.
A preparação de certas instalações para o torneio de tênis, como a quadra temporária do estádio leva cerca de “alguns meses”, um processo que ocorre simultaneamente às obras na infraestrutura da Fórmula 1. “O Hard Rock Stadium é um exemplo de como os grandes estádios se tornaram plataformas de entretenimento. A capacidade de receber eventos tão diferentes mostra que existe um investimento constante em infraestrutura, hospitalidade e flexibilidade operacional. Esse é um caminho que também observamos no Brasil, em que as arenas vêm ampliando suas possibilidades de uso”, diz Léo Rizzo, CEO da Soccer Hospitality, empresa especializada em ambientes premium, que atua no GP de São Paulo e opera camarotes em dez estádios brasileiros.
Este será o quarto compromisso da seleção no local. Em 16 de novembro de 2013, o Brasil fez sua primeira visita ao estádio, que à época era chamado de Sun Life Stadium. Na ocasião, goleou Honduras por 5 a 0, com gols de Bernard, Dante, Maicon, Willian e Hulk. Em 2014, o Brasil retornou a Miami, quando foi a campo pela primeira vez após a Copa do Mundo de 2014. Bateu a Colômbia por 1 a 0, no dia 5 de setembro, com gol de falta de Neymar. E depois voltou ao estádio cinco anos depois, em 6 de setembro de 2019, em novo encontro com os colombianos. Daquela vez, houve empate por 2 a 2, com tentos de Casemiro e Neymar.
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