“O Brasil não quebra”, diz CEO da SulAmérica Investimentos
Qual é o cenário fiscal projetado para o Brasil em 2027? Não vejo qualquer risco de o Brasil quebrar em 2027. Encerraremos 2026 com uma relação dívida/PIB de 84% e as projeções para 2027 ficam em 86%. O próximo governo precisará apresentar, já no primeiro ano, medidas sustentáveis para as contas públicas. Entre as reformas necessárias, está mais uma da Previdência, especialmente a desvinculação dos benefícios dos ganhos reais do salário mínimo.
Qual é a estratégia da SulAmérica para os juros altos e as eleições? Após a forte entrada de capital estrangeiro na bolsa brasileira, observamos um retorno desses recursos para os Estados Unidos, motivado pelo avanço da inteligência artificial. No Brasil, as incertezas eleitorais reforçam a cautela. Por isso, mantemos posições em renda fixa de curto prazo. Na bolsa, temos preferência por concessionárias, empresas de energia e bancos.
Como a empresa tem lidado com a tributação sobre aportes em previdência acima de 600 000 reais ao ano? Vemos a medida de forma crítica, pois incide sobre o valor aportado, e não sobre o ganho de capital. Ainda assim, não há risco para o setor, que permanece sólido mesmo com queda de 48% nas captações. Nossa estratégia é orientar os clientes a fazerem aportes menores para não pagar o imposto.
Qual é a perspectiva da carteira sob gestão da SulAmérica? Estamos próximos de 98 bilhões de reais sob gestão. Crescemos acima da média do setor, impulsionados por estratégias de renda fixa, crédito privado e infraestrutura.
Com edição de Márcio Juliboni
Publicado em VEJA, junho de 2026, edição VEJA Negócios nº 27