O Corinthians na rota das novas sanções de Trump contra o Brasil
O governo dos Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira, 1º, a primeira sanção a brasileiros por ligação com a facção criminosa PCC. Duas pessoas foram alvo de bloqueios de bens e propriedades em território norte-americano: Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira e Victor Henrique de Oliveira Shimada –este, réu no Brasil por suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo o patrocínio da casa de apostas Vai de Bet ao Corinthians.
De acordo com a gestão de Donald Trump, Shimada e sua empresa, Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda., lavaram mais de 30 milhões de dólares ligado ao tráfico de drogas nos Estados Unidos e moveram os fundos de volta para o Brasil usando criptomoedas. No anúncio das sanções, o Departamento do Tesouro –equivalente ao Ministério da Fazenda brasileiro– diz que Shimada já havia ficado em prisão domiciliar por ter usado essa mesma empresa para “lavar dinheiro roubado de um clube de futebol brasileiro como parte de um esquema de fraude publicitária”.
O esquema referenciado pelos americanos já é investigado pelas autoridades brasileiras e envolve o patrocínio da Vai de Bet ao Corinthians, que aconteceu entre janeiro e junho de 2024, no valor de 360 milhões –à época, foi noticiado como o maior acordo de financiamento de uma empresa a um clube brasileiro. De acordo com a denúncia oferecida pelo Ministério Público, Shimada, por meio de sua empresa, seria operador financeiro de um desvio de dinheiro dos cofres do Corinthians que passou por uma extensa trama de empresas até chegar na agência UJ Football Trading –esta, por sua vez, estaria ligada ao PCC. Na denúncia, porém, não há ligação entre Shimada e a facção.
A investigação concluiu que o Corinthians foi vítima do esquema, com prejuízo que ultrapassa 40 milhões de reais, soma tanto dos valores desviados quanto da rescisão do contrato com a Vaidebet.
Portanto, apesar de haver relação por ambos envolverem Shimada, os crimes citados pelo governo norte-americano são diferentes do divulgado publicamente até o momento pela investigação brasileira. VEJA entrou em contato com a assessoria do Corinthians. Caso haja manifestação do clube, o texto será atualizado.