Início / O craque francês que emociona ao recuperar a mit…

O craque francês que emociona ao recuperar a mitologia da camisa 10 (embora use a 11)

02 de Julho de 2026, 13:15 0 visualizações
O craque francês que emociona ao recuperar a mitologia da camisa 10 (embora use a 11)

Que beleza de jogador. Amauri Segalla já tratou com elegância e inteligência por aqui de Michael Olise, o meia francês como não há. Dada a dimensão do craque do Bayern de Munique, e a história que ele constrói na Copa do Mundo de 2026, é sempre tempo de conceder ainda mais espaço para o personagem. No futebol existem craques de meio de campo que disparam para ganhar um metro de vantagem que não pode ser recuperado. Olise enxerga o lance antes de todos e inventa um passe que nem o estádio havia imaginado. E para quem… para Kylian Mbappé.  O atacante do Real Madrid é consagrado, um monstro, um vencedor, um goleador. Olise faz seu primeiro mundial, e já disse ao que veio.

Ele passa, dribla, ilumina a partida, encanta os companheiros, deslumbra a torcida e, além disso, como corre. Corre muito, corre rápido e corre por muito tempo. Isso quase passa despercebido, tamanha é a qualidade técnica de Olise, que fascina até os adversários e faz o restante parecer secundário. Impressiona, portanto, soma do toque e passe precisos ao ritmo que impõe. Depois de quatro partidas nos Estados Unidos, ele é o jogador francês que mais percorreu distância: 40,9 quilômetros.

Isso porque Olise não é apenas resistente; ele também suporta intensidades muito altas. É capaz de manter uma toada fortíssima em suas arrancadas. Contra a Suécia, foi o jogador que realizou o maior número de corridas em alta intensidade (entre 15 e 20 km/h), o maior número de corridas em intensidade muito alta (entre 20 e 25 km/h) e também o maior número de sprints: 46 arrancadas acima de 25 km/h, totalizando cerca de 700 metros.

Suas cinco assistências — que já poderiam ser seis, caso a Fifa tivesse creditado a ele o passe para o segundo gol de Mbappé contra o Senegal (vitória por 3 a 1) — o fariam igualar o número de assistências de Pelé na Copa de 1970. Ultrapassará em breve, muito breve. Pelé conquistou o tri encerrando aquela campanha com um passe genial para Carlos Alberto Torres, que surgiu às suas costas para marcar o gol que fechou o placar de Brasil 4 x 1 Itália. Já Olise, aos 24 anos, desmontou a Suécia na fase de 16 avos. No caminho para a lenda, porém, ainda há muita estrada.

Mas em um aspecto ele nos faz esquecer essas ressalvas. Encanta ao recuperar uma posição profundamente ligada à mitologia do futebol: a camisa 10, em falta ao Brasil. Em uma época que, teoricamente, já não reserva espaço para esse tipo de jogador, com preferência a dois ou três meio-campistas que dividem entre si o brilho e as funções, Olise reaparece como um autêntico criador.

Continua após a publicidade

No programa da Fox Sports, Thierry Henry, admirado — e lembrando que dirigiu Olise na seleção olímpica da França há dois anos, quando conquistaram a medalha de prata — afirmou que ele é “o jogador mais importante da seleção francesa”. Para uma equipe que tem Mbappé, Dembelé e tantos outros enfants, é extraordinário.

Quando se fala em camisas 10 e grandes criadores da história da França, os nomes são conhecidos: Raymond Kopa em 1958, Michel Platini em 1984 e Zinedine Zidane contra o Brasil em 2006 . Michael Olise pode ser um novo herdeiro dessa tradição. Em 2026, a aventura da seleção francesa com ele ainda está apenas começando. É a história do futebol diante de nossos olhos.

Platini, da França, Vierchowod (8) e De Napoli, da Itália, durante jogo entre França 2 x 0 Itália, partida válida pela Copa do Mundo de Futebol, no Estádio Olímpico Universitário
Platini: o gênio dos anos 1970 e 1980, mestre de quem veio depois dele, como Zinedine ZidaneSérgio Sade/VEJA
Publicidade

Veja Também

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar.

Deixe seu Comentário

Os comentários passam por moderação antes de serem publicados.