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‘O Donald Trump da esquerda’: sobe a estrela do prefeito de Nova York

25 de Junho de 2026, 10:15 0 visualizações
‘O Donald Trump da esquerda’: sobe a estrela do prefeito de Nova York

Zohran Mamdani joga para a base – daí a comparação com Donald Trump feita, anonimamente, por um integrante do Partido Democrata. Radicalizou no apoio a três candidatos de extrema-esquerda para representar Nova York na Câmara dos Deputados e faturou uma tríplice vitória. No Brasil, seria como se, além de ser prefeito de São Paulo, um político do PSOL tivesse derrotado aspirantes mais tradicionais, do PT, por exemplo.

Nova York é uma cidade extremamente democrata – uma situação diferente do resto do estado. Na última eleição presidencial, Kamala Harris teve 63% dos votos e Donald Trump, 28%. Quem ganha as primárias, está com a eleição garantida.

Mamdani parece ter sido feito num laboratório do politicamente correto. Nasceu em Uganda, filho de professores de esquerda muçulmanos, procedentes da Índia. Tem 34 anos, boa aparência e uma esposa estilosa e igualmente esquerdista, Rama Duwaji, filha de imigrantes sírios. Fez uma campanha dinâmica para a prefeitura, prometendo aquilo que não existe, almoço grátis. Ou, pelo menos, com produtos mais baratos, vendidos em supermercados do governo.

Por mais absurdo que pareça, convenceu eleitores em número suficiente para ser eleito prefeito da cidade onde bufa o touro do capitalismo selvagem de Wall Street. O custo de vida, altíssimo, ajudou muitos iludidos a acreditar nas promessas irrealizáveis, embora sedutoras, de comida barata, aluguéis subsidiados e transporte de graça.

BRIGA E TANTO

Como em outros países, são os mais jovens que se inclinam pelas ideias de esquerda – e têm menos memórias do que foi o socialismo na vida real, com as filas enormes que retratavam a ineficiência terminal do sistema soviético. A batalha foi perdida irremediavelmente, com o desmoronamento quase inacreditável da União Soviética e a vitória incruenta dos Estados Unidos na Guerra Fria. Mas isso foi em 1991. Hoje, americanos que nem eram nascidos na época, na faixa dos 18 aos 29 anos, manifestam simpatias pelo socialismo na espantosa proporção de 62%.

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Mamdani soube surfar muito bem nessa onda e agora sua influência já se reflete na política nacional. Se as ciumeiras inevitáveis forem evitadas, ele será uma importante base de apoio à outra socialista democrata que encanta a juventude, Alexandria Ocasio-Cortez, a precursora na categoria esquerdista com discurso convincente e estampa irresistível.

AOC deverá disputar a candidatura presidencial pelo Partido Democrata, ajudada pela falta de um candidato definitivo, com mais apelo nacional Entre eleitores democratas, ela tem o respeitável apoio de 26%.

Iria ela disputar a candidatura com Kamala Harris? Seria uma briga e tanto. A vitória dos indicados por Mamdani pode ser um passo nesse rumo. O desempenho dos candidatos que ele apoiou é um exemplo adicional de que uma fatia importante do eleitorado americano se inclina à esquerda. Se Donald Trump não conseguir reverter a queda de popularidade, pode acabar dando um impulso extra a esta tendência.

Imaginem, nem que seja só para exercitar a capacidade de fazer hipóteses, a ironia: a América do Sul inteirinha de direita, como não é impossível acontecer, e os Estados Unidos de esquerda. E com uma boa ajuda da cidade que nunca dorme e seu prefeito muçulmano marxista que cita Gramsci para chamar, indiretamente, os judeus de “monstros”. Parece inventado, mas a realidade está bufando nos calcanhares da ficção.

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