O dublador que deu sotaque brasileiro à voz de Woody, de ‘Toy Story’
Durante mais de três décadas, milhões de brasileiros ouviram sua voz sem necessariamente saber seu nome. De cowboys destemidos a heróis de ação, passando por alguns dos maiores astros de Hollywood, Marco Ribeiro, 55 anos, ajudou a construir uma ponte afetiva entre o público e personagens que marcaram gerações. Agora, com a chegada de Toy Story 5 aos cinemas, o dublador volta a reencontrar Woody, um de seus papéis mais emblemáticos que acompanha desde o segundo filme da franquia.
A relação de Marco com xerife de brinquedo começou depois de uma perda marcante para a dublagem nacional. O primeiro filme da franquia, lançado em 1995, teve a voz do personagem interpretada por Alexandre Lippiani (1964-1997), que morreu em um acidente. A partir de Toy Story 2, Marco assumiu o papel e passou a acompanhar Woody em novas aventuras. “Desde então, venho atravessando algumas gerações. Já vi crianças que viraram pais, e agora têm quase seus netos. Isso é muito legal”, conta o dublador à coluna GENTE.
Para Marco, a longevidade de Woody está justamente na capacidade de acompanhar diferentes fases da vida do público. Ao longo dos anos, o personagem deixou de ser apenas um brinquedo animado e passou a representar memórias afetivas de várias gerações.
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Ligação com Tom Hanks
Ator, dublador, diretor de dublagem e empresário, Marco Ribeiro tem mais de 40 anos de carreira e é uma das vozes mais reconhecidas do Brasil, a ponto de ser identificado nas ruas somente pela fala. Além da experiência, a escolha para Woody também carregava uma ligação com outro nome gigante do cinema: Tom Hanks, intérprete original de Woody. Marco já emprestou sua voz ao ator americano em cerca de 60 produções e se consolidou como sua principal voz no Brasil. Apesar da longa relação profissional, os dois ainda não se encontraram pessoalmente. “Eu digo ‘ainda’ porque pode acontecer”, brinca.
A familiaridade com o trabalho de Hanks é tanta que Marco acredita que seria capaz de reconhecê-lo até em uma situação comum. “Se eu estivesse passando num mercado e ele estivesse ali no caixa, eu ia reconhecer a voz dele mesmo sem vê-lo”, afirma Ribeiro, que também ficou conhecido por outros trabalhos marcantes, como a voz de Tony Stark, personagem de Robert Downey Jr. em Homem de Ferro.

O segredo para manter a voz ativa
Aos 55 anos, Marco mantém cuidados simples para preservar seu principal instrumento de trabalho. “É água, própolis com mel, maçã. E não gritar, não forçar muito”, explica. Além da rotina de cuidados, ele destaca a importância da técnica para evitar desgaste. “Para fazer um personagem meio difícil, meio complicado, tem que saber colocar a voz no lugar certo para não arranhar, para não prejudicar a voz”.
No caso de Woody, a preparação exige ainda mais atenção. O personagem tem uma energia específica, mas Marco afirma que a voz permanece praticamente a mesma desde que assumiu o papel: “A voz continua a mesma. Eu não fumo, não bebo e tal. Então a voz não foi prejudicada”.
O tempo, porém, trouxe algumas adaptações. “Só não dá para fazer de manhã, pois fica mais complicado fazer o Woody neste horário. Mas aí a gente marca para tarde, para que dê para atingir o que a gente fazia 30 anos atrás”, conta.
O legado de Toy Story
Para Marco, o sucesso de Toy Story ao longo de décadas está ligado principalmente à força da história. “O enredo é muito cativante”, avalia. O dublador também destaca o cuidado com a versão brasileira da franquia. “Acompanhando isso tudo: a dublagem. A gente sempre teve um cuidado primoroso. Você tem um pouquinho de tempo a mais para elaborar as coisas. E esse produto sempre foi tratado, não que os outros não sejam, mas com um cuidado muito especial”, conclui.