O ‘efeito Master’ sobre a CVM
A aprovação relâmpago, na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), do projeto que obriga o presidente da CVM a prestar contas semestralmente ao Senado tem nome e sobrenome nos bastidores de Brasília: Banco Master. O texto da senadora Jussara Lima (PSD-PI), relatado em meio ao aumento da pressão política sobre o mercado financeiro, dificilmente teria saído da gaveta nesse ritmo sem o desgaste provocado pelo caso.
A portas fechadas, o presidente da CAE, Renan Calheiros (MDB-AL), já vinha avisando que a apuração sobre o Master “está apenas começando” e cobrava maior compartilhamento de informações da autarquia com o Congresso. No colégio de líderes, a leitura passou a ser a de que era preciso impor à CVM um ritual semelhante ao já enfrentado pelo presidente do Banco Central, chamado regularmente a prestar explicações ao Senado.
O recado político foi dado. A pressão agora se desloca para a Câmara, onde representantes do setor financeiro devem tentar desidratar o texto. Nos bastidores, a avaliação é que o projeto virou menos uma discussão institucional sobre transparência e mais um capítulo da ofensiva parlamentar para ampliar o controle sobre os órgãos que fiscalizam o sistema financeiro.