O eleitor que pode ser mais afetado pelo escândalo do Master, segundo cientista político
As revelações envolvendo o Banco Master e os desdobramentos da operação da Polícia Federal contra o senador Jaques Wagner (PT-BA) tendem a ter impacto limitado sobre os núcleos mais fiéis do eleitorado, mas podem influenciar a parcela de votantes de centro. A avaliação é do cientista político Fábio Vasconcelos.
Em entrevista ao programa Ponto de Vista, de VEJA, Vasconcelos afirmou que tanto os eleitores alinhados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto os identificados com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) já apresentam posições consolidadas, o que reduz a possibilidade de mudanças significativas em razão do escândalo.
Segundo o cientista político, a disputa presidencial vem sendo estruturada de forma antecipada, o que fez com que cerca de 60% do eleitorado já tivesse definido sua preferência. Nesse cenário, os efeitos de fatos negativos tendem a se concentrar sobre os eleitores menos ideológicos e mais suscetíveis a mudar de posição.
Na avaliação de Vasconcelos, esse grupo, estimado entre 30% e 40% dos votantes, costuma prestar menos atenção ao noticiário político neste momento e deverá acompanhar mais de perto a campanha apenas nos meses que antecedem a eleição. Por isso, eventual impacto nas pesquisas de intenção de voto deve ser modesto.
“Quando você tem uma campanha que é muito competitiva, que as diferenças são mínimas, esse eleitor menos atento ao processo eleitoral, que é em torno de 30% a 40%, dependendo do instituto, ele é o que mais pode fluir para um lado ou para o outro”, disse Vasconcelos.
“Mas tem um paradoxo nesse momento. Esse eleitor tem menos lentes ideológicas, mas também é menos atento ao processo eleitoral nesse momento. Então, se é menos atento, essa informação para chegar até ele, e ele tomar uma decisão, ela tem um percurso um pouco menos óbvio”, completa o cientista político.
O especialista afirmou ainda que as narrativas construídas por governistas e oposicionistas em torno do caso Master deverão ser retomadas durante a campanha oficial, quando os candidatos buscarão atingir justamente os eleitores ainda indecisos. Para ele, eventuais oscilações provocadas pelo episódio tendem a ficar restritas à margem de erro dos levantamentos.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.