O ‘Google jurídico’ da Thomson Reuters
A Thomson Reuters acaba de trazer ao Brasil uma das plataformas de pesquisa jurídica mais usadas no mundo. O Westlaw chega ao país com dezenas de milhões de documentos integrados, reunindo legislação, jurisprudência e doutrina em um único ambiente digital.
A aposta é transformar a ferramenta em uma espécie de “Google jurídico” para escritórios de advocacia, departamentos jurídicos, órgãos públicos, magistrados e acadêmicos. O acervo brasileiro terá curadoria da Revista dos Tribunais, marca tradicional da Thomson Reuters no país.
Na prática, a plataforma permite consultar normas, decisões judiciais e obras doutrinárias de forma centralizada. Também oferece recursos para comparar alterações em textos de leis e monitorar novas decisões judiciais, uma demanda cada vez mais sensível em um ambiente jurídico marcado por excesso de informação e mudanças constantes.
O tamanho da base é um dos principais ativos da operação. Segundo a companhia, o conteúdo que abastece a plataforma responde hoje por 30% das recomendações bibliográficas do Superior Tribunal de Justiça.
Mas o movimento vai além da digitalização do acervo. A chegada do Westlaw também prepara o terreno para a integração com ferramentas de inteligência artificial voltadas ao Direito, como o CoCounsel. A Thomson Reuters chama essa frente de IA fiduciária: uma arquitetura desenhada para reduzir riscos de respostas imprecisas, preservar sigilo de dados e operar sob padrões regulatórios mais rígidos do que os de ferramentas generativas comuns.
A migração para o novo sistema será gradual ao longo de 2026. Os atuais usuários da Revista dos Tribunais Online, base que reúne dezenas de milhares de advogados, magistrados e estudantes no Brasil, serão incorporados à nova plataforma.