Início / O incrível craque que usa a matemática em campo

O incrível craque que usa a matemática em campo

14 de Junho de 2026, 22:24 2 visualizações
O incrível craque que usa a matemática em campo

Era o caso de aplaudir de pé, de pedir bis: a atuação do volante marroquino Ayyoub Bouaddi contra o Brasil já faz parte dos grandes momentos desta Copa do Mundo – e talvez até mesmo da história dos mundiais, e por um bom motivo. Bouaddi tem apenas 18 anos. Há jogadores que brilham de modo precoce e surpreendente, como Mbappé em 2018. É raro, contudo, que um meio-campista tão cedo revele suas habilidades. Jogadores dessa região do gramado precisam de tempo para ganhar corpo, respeito dos companheiros e o entendimento de como ditar o ritmo de uma partida. Didi, o “príncipe etíope”, como o batizou Nelson Rodrigues, tinha 29 anos em 1958. Sim, calma – é exagero comparar Bouaddi com Didi, uma promessa com um gênio, mas é um modo de demonstrar como a arte de organizar o toque de bola, a partir do miolo, é coisa de veteranos, e não de aprendizes.

Mas que beleza o futebol de Bouaddi, o cabelo esvoaçante a emoldura-lo, se deslocando como uma formiguinha por todo o gramado, aqui e ali, no sol escaldante de Nova Jersey. É ainda mais extraordinário saber que o galalau do Lille, da primeira divisão da França, tem 1m85 de altura. Peito estufado, cabeça erguida, ele é uma aula de futebol. Em 2024, na vitória do Lille por 1 a 0 contra o Real Madrid, ele tinha feito uma exibição de gala, aos 16 anos – mas Copa do Mundo é Copa do Mundo, palco para a explosão de estrelas inesperadas. Bouaddi é uma delas, e não há duvida da estrada que tem pela frente.

E tem mais, o que o torna ainda mais interessante: nascido na França de pais marroquinos, Bouaddi sabe que tocar na bola não pode ser sinônimo de vida, não pode ser a vida toda. Em 2023, aos 15 anos, ele participou de um concurso de oratória a jovens esportistas franceses. Tirou o primeiro lugar, em cerimônia realizada no Palácio do Eliseu, diante da primeira-dama, Brigitte Macron. No ano passado, tirou nota máxima entre seus colegas escolares. “Sempre quis continuar meus estudos, porque isso me permite aproveitar o tempo livre para aprender”, diz o craque. “É a melhor maneira de manter a mante aberta”. Tem especial predileção por física e matemática, e então o ciclo se fecha, e é possível compreender porque percorre o campo com tanta inteligência espacial. “A matemática me ajuda a entender o jogo mais rapidamente”, afirma. Olho em Ayyoub Bouaddi, um cara bacana.

Publicidade

Veja Também

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar.

Deixe seu Comentário

Os comentários passam por moderação antes de serem publicados.