O longo e trágico histórico de terremotos na Venezuela, atingida por nova catástrofe
Dois terremotos de magnitude 7,2 e 7,4 atingiram a Venezuela na noite de quarta-feira, 25, deixando ao menos 164 mortos e mais de 790 feridos. O número de vítimas deve subir nas próximas horas, à medida que 500 equipes de emergência realizam buscas em escombros de prédios e casas colapsados. Um site compartilhado pela oposição venezuelana afirma que 10 mil pessoas estão desaparecidas, enquanto o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês) estima que entre 10 mil e 100 mil tenham morrido.
A Venezuela, localizada onde a Placa do Caribe encontra a Placa Sul-Americana, tem um longo e trágico histórico de terremotos. Um dos maiores foi registrado em 1812, durante a Guerra da Independência. O tremor, estimado entre 7,5 e 7,7, destruiu Caracas e impossibilitou que fosse utilizada como centro administrativo e logístico. Mérida, no noroeste do país, também foi duramente atingida. Ao menos 30 mil morreram, de acordo com dados do USGS.
Já em 1900, um terremoto de San Narisco, como ficou conhecido, deixou 21 mortos e danificou edifícios na capital e em regiões próximas. Anos mais tarde, em 1929, outro causou um tsunami que destruiu a cidade de Cunamá, no nordeste da Venezuela, e causou 800 mortes. O epicentro foi no Mar do Caribe. Um sismo de magnitude 6,8 atingiu El Tocuyo, no centro-oeste, deixou 100 vítimas 21 anos depois.
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Em 1967, um tremor de 6,8 voltou a assolar Caracas, derrubando prédios altos. Mais de 200 morreram no incidente, que levou o governo venezuelano a adotar novos protocolos para desastres — hoje considerados insuficientes. O próximo terremoto aconteceria em 1997, com 21 mortos, cerca de 500 feridos e 3 mil desabrigados. Também causou rupturas no solo pela liberação de tensão da falha de El Pilar.
Após a virada do milênio, três foram registrados: em 2018, com cinco mortos e 120 feridos em Caracas e na região leste da Venezuela; em 2025, quando uma pessoa morreu após 189 eventos sísmicos danificarem infraestruturas essenciais, como hospitais e serviços elétricos; e, agora, em 2026. Mais cedo, a presidente interina, Delcy Rodríguez, informou que os dados iniciais não incluíam os do estado de La Guaira — o mais atingido, localizado perto de Caracas e onde fica o aeroporto da cidade, que foi fechado.
“Dezenas de prédios desabaram, e estamos realizando esforços de resgate muito intensos para salvar o maior número de vidas que Deus nos permitir salvar”, disse ela em aparição na TV estatal durante a madrugada. “Quero dizer também que esta é uma verdadeira tragédia. Daqui, enviamos nossa mensagem de solidariedade e, às famílias que perderam entes queridos, reafirmamos nossas condolências e nosso apoio nestas horas difíceis.”