O número da pesquisa Real Time Big Data em SP que trava disputa entre Lula e Flávio
A nova pesquisa Real Time Big Data sobre São Paulo divulgada nesta terça, 16, reforça um dos principais traços da corrida presidencial de 2026: a polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro. No maior colégio eleitoral do país, os dois aparecem em situação de empate técnico, mas carregam um obstáculo semelhante para suas campanhas: a elevada rejeição (este texto é um resumo do vídeo acima).
No cenário de primeiro turno, Flávio registra 36% das intenções de voto entre os eleitores paulistas, enquanto Lula aparece com 31%. A diferença está dentro da margem de erro do levantamento. Em uma eventual disputa de segundo turno, o senador alcança 47%, contra 44% do presidente.
O levantamento também mediu a rejeição aos presidenciáveis. Lula lidera o índice, com 51%, seguido de perto por Flávio, rejeitado por 50% dos entrevistados.
Por que a rejeição chama mais atenção do que a intenção de voto?
Durante o programa Ponto de Vista, o repórter Bruno Caniato destacou que o dado mais relevante do levantamento pode estar menos nos percentuais de intenção de voto e mais no tamanho da resistência enfrentada pelos dois principais candidatos. Segundo ele, a pesquisa evidencia a permanência de uma disputa marcada pela rejeição ao adversário. “A polarização prossegue muito forte. É uma eleição muito definida por quem é o outro candidato”, afirmou.
Na avaliação do jornalista, os índices de rejeição superiores ao apoio eleitoral mostram que parte significativa do eleitorado continua votando mais contra um adversário do que propriamente a favor de um candidato.
O que explica o recuo dos dois candidatos?
A pesquisa também registrou queda tanto de Lula quanto de Flávio em relação à rodada anterior, realizada em março. Para Caniato, o movimento sugere que episódios recentes vêm produzindo desgaste simultâneo nos dois polos da disputa.
“A grande novidade seria o recuo de ambos; os escândalos de corrupção e a tarifa dos Estados Unidos vêm impactando de modo geral tanto o Lula quanto o Flávio Bolsonaro”, observou.
O levantamento surge após semanas marcadas pela repercussão do caso envolvendo o Banco Master, que atingiu a campanha de Flávio, e pela crise comercial entre Brasil e Estados Unidos, tema explorado tanto pelo governo quanto pela oposição.]
É possível romper a polarização?
Para o cientista político Rubens Figueiredo, os números revelam um cenário eleitoral ainda extremamente rígido, apesar da intensa movimentação política dos últimos meses. “Essas taxas de rejeição são historicamente muito altas. Grosso modo, metade do eleitorado rejeita o Flávio e metade rejeita o Lula”, afirmou.
Segundo ele, a pré-campanha tem sido marcada por uma sucessão de acontecimentos capazes de influenciar o humor do eleitorado, mas ainda insuficientes para provocar mudanças profundas nas intenções de voto.
Entre esses fatores, Figueiredo citou medidas econômicas anunciadas pelo governo Lula, como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda e programas sociais, além de temas que têm dominado o noticiário político, como o tarifaço americano, a classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas pelos Estados Unidos e as discussões sobre a situação fiscal do país.
O que os números indicam para 2026?
A leitura predominante entre analistas é que a eleição permanece fortemente polarizada e com espaço reduzido para o crescimento de candidaturas alternativas. Ao mesmo tempo, a combinação entre intenções de voto relativamente estáveis e rejeições elevadas indica uma disputa em que convencer novos eleitores pode ser mais difícil do que preservar a própria base de apoio. “É uma eleição onde você vai votar em quem você gosta menos”, resumiu o cientista político.
No maior estado do país, a nova pesquisa sugere que Lula e Flávio Bolsonaro continuam concentrando a preferência do eleitorado, mas também acumulam níveis de rejeição que podem limitar avanços mais expressivos na reta final da campanha.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.