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O prédio mais feio do mundo: nem fãs elogiam centro dedicado a Obama

23 de Junho de 2026, 10:07 0 visualizações
O prédio mais feio do mundo: nem fãs elogiam centro dedicado a Obama

O chique, estiloso e ilustrado Barack Obama queria deixar sua marca com um centro presidencial – não uma biblioteca, como é hábito – moderno, diferente e vibrante. Diferente certamente é, mas nem os obamistas mais entusiasmados disfarçam a decepção diante do monstrengo sem janelas plantado num parque em Chicago ao custo de 850 milhões de dólares.

Talvez tenha sido o “efeito cliente”, a pressão de quem encomenda sobre quem faz a obra encomendada. Segundo os arquitetos Billie Tsien e Ted Williams, o ex-presidente ficava pedindo algo mais ousado, inspirado em Brancusi, com uma construção que evocasse quatro mãos erguidas para o céu. Deu no que deu.

Conforme o ângulo, é “frio e ameaçador”, disse no New York Times o crítico de arquitetura Michael Kimmelman, depois de procurar vários aspectos positivos para destacar, sem muito sucesso. No Guardian, também da turma que venera Obama, o abantesma foi comparado a uma prisão Klingon- uma referência ao gélido planeta onde eram confinados os inimigos do império em Jornada nas Estrelas.

PROLIFERAÇÃO DE ALGAS

Prédios e monumentos públicos são um assunto muito sério por expressarem, mais do que a história, a autoimagem dos países onde se erguem. O Centro Presidencial Obama foi apelidado de Obamalisco, inclusive por causa das palavras esculpidas na fachada (discursos dele, claro) como gigantescos hieróglifos, mas não tem nada da elegância imemorial dos monumentos egípcios.

Com a chegada das festividades dos 250 anos da independência americana, obras arquitetônicas restauradas por Donald Trump se transformaram em objeto de discussão política, com um pendor para o absurdo. Por exemplo, a mídia antitrumpista está dando um destaque descomunal à restauração do espelho d’água que une os principais monumentos em Washington. Foi uma restauração mal feita, com a proliferação de algas e pintura descolando, ao contrário de outros marcos públicos bem recuperados.

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Como Trump se orgulha de ser um grande especialista no ramo da construção, os adversários caíram matando, usando a obra como metáfora do próprio governo. Faz parte do jogo, mas esbarra facilmente no ridículo – inclusive com a detenção de pessoas acusadas de arrancar pedaços da pintura descascada. A Guarda Nacional está patrulhando o espelho d’água.

Também está paralisada a construção do Arco do Triunfo monumental que Trump pretendia erguer em Washington para celebrar a nação – e, claro, a si mesmo. Descontada a implicância dos antitrumpistas, o projeto realmente tem um visual anacrônico, como se fosse uma cópia de monumentos semelhantes existentes na Europa.

NOVO RICO

É diferente amar a arquitetura neoclássica, como a do Arco do Triunfo em Paris, de copiá-la nos dias atuais. Trump confessou recentemente (na mesma entrevista em que chamou o presidente Lula da Silva de “muito volátil”) que tem um fraco pelo estilo francês que atingiu seu ápice em Versalhes – onde Emmanuel Macron o recebeu num jantar de Estado justamente para explorar a queda do presidente americano pelo estilo Luís XIV do mais belo de todos os palácios. O triplex do presidente na Trump Tower é todo decorado nesse estilo.

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Coisa de novo rico, horrorizam-se os antenados, no momento tentando esconder a decepção com o centro Obama que descambou para o lado oposto, o do modernismo árido, sem alma nem beleza, muito menos o essencialismo genial de Brancusi.

A maior discussão arquitetônica em Washington é sobre o Salão de Baile que Trump quer construir, se conseguir superar os embargos na justiça, na área que foi a Ala Leste da Casa Branca. O projeto monumental é outro sonho de Trump e, obviamente, virou uma questão daquelas.

E isso que ele só vai construir a biblioteca Trump depois que deixar o governo. Biblioteca é modo de dizer. Trump já pensou em dedicar parte do arranha-céu em Miami, mais alto do que o prédio de Obama, a um hotel. Ego é ego e Trump quer ficar próximo das origens.

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