O protesto dos iranianos na chegada da seleção aos Estados Unidos
No dia em que Estados Unidos e Irã anunciaram um acordo para encerrar a guerra entre os dois países, a delegação de futebol iraniana pousou em Los Angeles para sua estreia na Copa do Mundo, nesta segunda, 15, contra a Nova Zelândia. É a primeira vez na história do torneio, desde sua criação em 1930, que um país-sede recebe uma nação com a qual está em conflito — o documento oficial do fim das hostilidades será assinado na sexta-feira, 19.
Mesmo com o acordo, um grupo de iraniano-americanos realizou um protesto nas proximidades do estádio de Los Angeles. “Nem Xá, nem Mulá no Irã — mudança de regime pelos iranianos”, diziam os cartazes. Também foram espalhados fotos e pôsteres de atletas que os manifestantes afirmam terem sido mortos pelo regime dos aiatolás.
A repressão de janeiro aos protestos no Irã, em que o exército abriu fogo contra a própria população, foram o principal motivo de indignação para Mojgan Ramezani, 56 anos. “Eles mantêm seu próprio povo como reféns”, diz.. Hassan Haddadi, 70, resumiu o sentimento do grupo: “Esperamos conscientizar o mundo ocidental para que faça algo além de condenar, e acabe com esse regime”.
Em entrevista coletiva no estádio, o técnico iraniano Amir Ghalenoei tentou manter distância da política. “Não somos pessoas políticas”, disse, por meio de intérprete. “Estamos aqui para jogar futebol e representar o respeitoso povo iraniano, seja dentro do Irã ou na diáspora. Espero que o futebol traga alegria e aproxime culturas e países”.
Ghalenoei também reconheceu que as circunstâncias extracampo afetaram a equipe. O Irã foi obrigado a transferir sua base de treinamentos de Tucson, no Arizona, para Tijuana, no México, após os ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel contra o país, em fevereiro. A seleção terá que cruzar a fronteira para cada um dos três jogos da fase de grupos, e a negativa de vistos americanos a alguns membros da federação também prejudicou a preparação.

A despedida de Tijuana, porém, foi à altura do momento. Apoiadores enfileirados em cinco fileiras numa calçada lotada em frente ao hotel gritavam “Team Melli” — “seleção nacional”, em farsi — enquanto os jogadores saíam em direção ao ônibus. Muitos acenaram e sorriram. Um torcedor segurava uma placa amarela: “Irã, você nunca caminhará sozinho. O México está com vocês.” Em determinado momento, a multidão entoou em espanhol: “Irã, irmão, agora és mexicano”.
Irã e Nova Zelândia estreiam na Copa do Mundo de 2026 nesta segunda, 14, às 22h (horário de Brasília), no estádio de Los Angeles, nos Estados Unidos, em duelo válido pelo Grupo G, que também reúne Bélgica e Egito.
(com agência Reuters)