O que disse Trump ao encontrar Lula no G7
Após desencontro durante foto oficial do G7 um dia antes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o mandatário americano, Donald Trump, se encontraram rapidamente nesta quarta-feira, 16, em Évian-les-Bains, na França.
Um vídeo publicado pelo ICL Notícias mostra Trump andando em direção a Lula e ambos se cumprimentando. O americano diz: “Tudo bem? Bom trabalho”, antes de dar um tapinha no ombro do brasileiro e sair por um dos corredores do hotel onde a cúpula acontece.
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Os dois já teriam se encontrado, também rapidamente, durante evento na terça-feira. Auxiliares ouvidos pela coluna Radar, de VEJA, afirmaram que o presidente brasileiro antecipou a ida à reunião do G7 para tentar viabilizar um encontro bilateral com Trump para tratar das ameaças de Washington de impor um novo tarifaço de 25% a produtos brasileiros e da decisão de classificar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como grupos terroristas. A reunião não aconteceu e não há agenda prevista.
O rápido cumprimento entre os dois presidentes se dá em meio às falas de Lula sobre o governo americano, captadas parcialmente por uma equipe da agência de notícias Associated Press. Em conversa informal com o líder da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, é possível ouvir o petista dizer que o Brasil “não gosta de briga” e que “não tem divergência com nenhum país”. Em seguida, ele afirma: “Eu não suporto o comportamento do governo americano”.
Em discurso durante a cúpula, na terça-feira, Lula já havia criticado abertamente “o protecionismo e o unilateralismo” e defendido o respeito à soberania de países na luta contra o crime transnacional. A fala foi feita praticamente frente a frente com Donald Trump, que estava sentado no lado oposto da mesa.
Em nota publicada logo após a mudança de classificação dos grupos criminosos, o Planalto acusou o governo Trump de interferência na soberania brasileira e, sem citar nomes, criticou “traidores” e “falsos patriotas” por trás da manobra. “A segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores. Por falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado, que pedem a autoridades estrangeiras a int… a interferência em assuntos brasileiros”, diz a nota oficial.
Com um possível encontro, Lula quer ter um termômetro sobre o sentimento de Trump em relação às sugestões de um novo tarifaço feitas por Jamieson Greer, chefe do escritório comercial dos Estados Unidos.
A investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) cita “políticas e práticas do Brasil relacionados ao comércio digital e serviços de pagamento eletrônico”, o Pix, além de “tarifas preferenciais desleais, aplicação de medidas anticorrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, e desmatamento ilegal”. O prazo para que sejam tomadas medidas corretivas expira em 15 de julho de 2026.
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Antes da entrada em vigor do novo tarifaço proposto, o cronograma do governo americano prevê audiências e consultas públicas. Até 22 de junho de 2026: os interessados devem enviar seus pedidos de comparecimento à audiência, juntamente com um resumo do depoimento; 1º de julho de 2026: Prazo para o envio de comentários por escrito sobre as medidas; 6 de julho de 2026: O USTR realizará uma audiência sobre a ação proposta; 15 de julho de 2026: Prazo final para a definição e aplicação das medidas corretivas contra o Brasil.