O que explica sucesso do goleiro Vozinha, do Cabo Verde, que freou a Espanha
Vozinha, o goleiro da seleção de Cabo Verde, sacudiu sua vida digital no seu primeiro jogo da Copa, ao defender nesta segunda-feira, 15, sua seleção no empate contra a temida e uma das favoritas Espanha. E logo saltou de 50 mil para mais de 3 milhão de seguidores no seu perfil do Instagram em poucas horas.
Um dos goleiros mais velhos do Mundial, com 40 anos, Josimar José Évora Dias é um ídolo do país e o segundo jogador com mais jogos disputados pela seleção cabo-verdiana, com 89 partidas, ficando atrás somente de Ryan Mendes, que acumula 96 jogos. A carreira começou no Batuque, depois passou por clubes como Progresso (Angola), AEL Limassol (Chipre), Gil Vicente (Portugal) até chegar ao Chaves, clube da Liga Portuguesa 2.
Mas o que explica esse sucesso repentino? “Há alguns anos, um atleta de uma seleção emergente dependeria quase exclusivamente da televisão tradicional para ganhar visibilidade. Hoje, uma transmissão digital com forte capacidade de engajamento pode gerar milhões de visualizações, aumentar seguidores e criar oportunidades comerciais que antes eram restritas a jogadores das grandes seleções”, aponta Fábio Wolff, sócio-diretor da Wolff Sports e especialista em marketing esportivo.
As mídias não-tradicionais, como a CazéTV, estão entendendo algo que poucas empresas tradicionais conseguem replicar: o torcedor moderno não consome mais apenas uma tela. “Enquanto assiste ao jogo na TV, ele comenta, compartilha e descobre histórias nas redes sociais em tempo real. Talvez por ter nascido na internet, a plataforma consiga fazer essa convergência entre transmissão e engajamento digital de forma muito natural. O caso do goleiro Vozinha mostra exatamente isso: transformar uma grande atuação esportiva em uma narrativa capaz de mobilizar milhões de pessoas além dos 90 minutos”, acrescenta Wagner Leitzke, head de clubes do marketing digital da Agência End to End.
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O maior benefício de uma Copa com tantas seleções como essa, é justamente o número de histórias curiosas e descobertas que ela permite, como as seleções de Cabo Verde, Haiti e Curaçao. Ainda que todos os seus atletas sejam profissionais, tão dedicados e obstinados quanto os das seleções que regularmente disputam o torneio, muitos estão distantes das cifras milionárias típicas dos atletas já consolidados na elite mundial. Além disso, o ingresso desses países na Copa gerou e ainda vai gerar mobilizações únicas, jamais vistas nesses países, capazes de mudar até a mesmo a percepção que possuem sobre o que são como nação.
“O negócio do futebol cresceu porque o amor por ele cresceu, e o primeiro não pode jamais se esquecer do segundo. Queremos partidas de alto nível, mas também queremos nos emocionar com quem disputa elas. A FIFA acertou. Novamente”, analisa Thiago Freitas, COO da Roc Nation Sports no Brasil, empresa de entretenimento norte-americana, comandada pelo cantor Jay-Z, que gerencia a carreira de centenas de atletas.