O que faz do estádio de Los Angeles o mais caro do planeta
A estreia da seleção dos Estados Unidos da Copa do Mundo impressionou o mundo pelo massacre que o time impôs ao Paraguai, que não viu a cor da bola e levou uma goleada de 4 a 1. Mas houve quem tenha dividido as atenções entre o vistoso futebol do camisa 10 Christian Pulisic: o espetaculoso e espetacular estádio de Los Angeles. Pudera.
A arena mais cara do planeta (custou 5 bilhões de dólares, ou cerca de 25 bilhões de reais) foi construída justamente com a intenção de prescindir do esporte no gramado para entreter o público. Os puristas do esporte, que até hoje reclamam das reformas nos estádios brasileiros para a Copa de 2014, torcem o nariz.
Mas o público presente e também a chuva de posts nas redes sociais a respeito da imponência do estádio falam por si.
Sobre as cabeças dos 70 mil espectadores paira a “Tela Infinita”, um telão 4K dupla-face de 6 500 metros quadrados e 80 milhões de pixels, o maior do mundo, em formato de anel para que todos os espectadores tenham a mesma visão. Seus 260 alto-falantes fazem com que qualquer lugar da arena escute a música dos shows, como o de Anitta na abertura, como se estivessem na frente do palco. O teto translúcido que cobre todas as arquibancadas é revestido de LEDs programáveis que também o transformam numa tela de televisão. Ela é tão grande que pode ser vista do céu, por passageiros que estejam decolando ou aterrissando no aeroporto de Los Angeles, a seis quilômetros dali. Seus 46 painéis se abrem para ventilar o calor, e manter o calor escaldante do verão americano do lado de fora.
De dentro do campo (e de casa, pela televisão), também é possível ver tel˜es em todo o entorno das arquibancadas, que podem ser usados para ambiência, como quando colorem tudo com as cores dos times em campo, como mostrar publicidade. À beira do gramado, cabines de hospitalidade com serviço de champanhe recebem os convidados mais privilegiados. Para os demais, há bares, restaurantes e espaços de convivência espalhados por todos os níveis. Se o jogo estiver chato, sempre tem o quê olhar.
O estádio pertence a Stanley Kroenke, bilionário americano dono time de futebol americano Los Angeles Rams, que manda seus jogos ali. Foi dele a ideia de construir um estádio, inaugurado em 2020, que pudesse tanto receber eventos esportivos gigantes – como o Super Bowl de 2022, vencido pelos Rams diante de mais de 100 mil torcedores graças a arquibancadas desmontáveis, quanto concertos de música e cultura. Fora da Copa, quando a Fifa proíbe o uso de nomes de empresas nas arenas, o estádio se chama SoFi Stadium e já foi palco do WrestleMania, o maior evento anual do wrestling profissional, e shows de Taylor Swift, Beyoncé e BTS. O investimento deu certo, e o SoFi é hoje o estádio com maior faturamento com eventos ao vivo do mundo inteiro. E a agenda só cresce: depois da Copa, vem o Super Bowl de 2027 e, em 2028, a cerimônia de abertura das Olimpíadas de Los Angeles.

Para quem está lá, o entretenimento não acaba ao sair do estádio. Ele fica dentro do Hollywood Park, um complexo de 1,2 milhão de metros quadrados que inclui o YouTube Theater, uma casa de shows com capacidade para 6 mil pessoas; um sofisticado cassino; prédios de apartamentos de luxo, restaurantes, lojas, 100 mil metros quadrados de parques e trilhas ao redor de um lago com cachoeira artificial e um estúdio de produção cinematográfica que servirá como o Centro Internacional de Transmissões nas Olimpíadas de 2028. O estádio é só a parte mais vistosa de uma verdadeira cidade de entretenimento.
A lógica é o oposto da que moldou os grandes estádios de futebol do mundo. No Maracanã, no Rio de Janeiro, ou na La Bombonera, em Buenos Aires, o jogo é a única atração. Publicidade e comodidades são escassas. A fama vem dos momentos históricos e da paixão das arquibancadas.
O SoFi foi concebido para ser o antípoda dessa tradição, e Los Angeles é o lugar certo para essa experiência. “Queríamos que tanto o torcedor fanático que jamais sai do lugar quanto a pessoa que nunca vai sentar tivessem uma ótima experiência”, disse o arquiteto-chefe Lance Evans, do escritório HKS, responsável pelo projeto, em entrevista ao site The Athletic.
O torneio ainda vai passar mais sete vezes por ali. Nesta segunda-feira, 15, o Irã enfrenta a Nova Zelândia. Ao todo, o SoFi sediará oito partidas da Copa: cinco na fase de grupos, duas nas oitavas de final e uma nas quartas. Tempo mais do que suficiente para convencer até os mais céticos de que a arena não precisa de um bom jogo para ser inesquecível.