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O que instrutores que jogaram jovem sem corda de ponte disseram à polícia

16 de Junho de 2026, 21:19 0 visualizações
O que instrutores que jogaram jovem sem corda de ponte disseram à polícia

Três investigados pela morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, 21 anos, estão presos preventivamente por determinação judicial desde o domingo, 14, quando passaram por audiência de custódia, um dia depois de lançarem a vítima de uma ponte, em Limeira, no interior de São Paulo, sem cordas, durante prática de rope jump. Vitor de Freitas Gonçalves, Luis Felipe Feliciano Egoroff e Maicon Fernandes Cintra foram ouvidos em depoimento à Polícia Civil local, que investiga o caso.

Egoroff foi o primeiro a depor, segundo os autos, e afirmou que o caso envolvendo Maria Eduarda foi uma “fatalidade”. “A gente não consegue entender o que aconteceu”, disse ele. No sábado, 13, quando a vítima morreu, Egoroff afirmou que estavam previstos pelo menos 90 saltos. Cada um ao custo de 180 reais — com acréscimo de 110 reais para colocar uma câmera acoplada ao cliente para filmar o salto em 360 graus. Egoroff também afirmou que não se recorda se a responsabilidade por colocar a corda no momento em que Maria Eduarda foi lançada era dele ou de Maicon. Ele também afirmou que não ouviu pessoas que estavam no local gritarem “a corda” para chamar atenção dos instrutores. Ele negou ainda que tenha tentado fugir do local do acidente. 

Já Cintra disse à polícia que é a primeira vez que ocorre uma morte na equipe de rope jump em que ele atua e que já conheço a modalidade desde meados de 2020. “Não consigo entender. Em que momento que eu não vi a corda”, afirmou em depoimento para delegada Andrea Dantas Levy. Ele confirmou também que Maria Eduarda não foi uma das primeiras a participar do salto naquele dia. “Era para frente de dez”, disse. Maria Eduarda foi lançada com uma câmera acoplada para registrar o momento. Questionado, Cintra disse que não sabe onde o objeto está. 

Por último, a Polícia Civil ouviu Gonçalves. Ele afirmou que era responsável por equipar as pessoas para o salto, mas não fazia parte da equipe que lançava os participantes. “Eu fui chamado para ajudar a levantar (a Maria Eduarda)”, disse ele, que também negou tentativa de fuga junto de Cintra e Egoroff. 

O trio responde por homicídio doloso na modalidade de dolo eventual. “Essa qualificação se mostra acertada neste momento de cognição sumária, à vista dos elementos coligidos. O dolo eventual ocorre quando o agente assume o risco de produzir o resultado lesivo, ainda que não o deseje diretamente. No caso concreto, os indícios apontam que os indiciados não adotaram as cautelas mínimas e indispensáveis para a realização de uma atividade intrinsecamente perigosa, que envolvia arremessar pessoas de uma altura de mais de 30 metros”, registrou o magistrado Paulo Henrique Stahlberg Natal na audiência.  

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