O recado de Lula ao bolsonarismo no estado mais bolsonarista do país
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cumpriu nesta sexta-feira, 26, agendas em Santa Catarina, onde o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) venceria a eleição em primeiro turno, se fosse apenas com eleitores do estado, segundo a pesquisa eleitoral mais recente.
Esta foi a primeira visita de Lula aos catarinenses em mais de um ano –a última havia sido em maio de 2025. No porto de Itajaí, onde viu obras para construção de embarcações da Petrobras, ele fez duras críticas ao governador do estado, Jorginho Mello (PL), que teria recusado todos os convites que o governo federal fez para parcerias e eventos.
Ao lado de Décio Lima (PT) e Gelson Merísio (PSB), pré-candidatos que apoia no estado, Lula pediu que os catarinenses comparassem os feitos dos governos federal e estadual. “Estamos chegando no momento histórico em que tem que avaliar quem trouxe benefício e quem não trouxe, quem só falou bobagem e quem fez as coisas acontecerem”, disse.
“Vocês pensam que fico satisfeito de vir aqui com a empresa mais importante do país [a Petrobras], os ministros e o governador, que não sei nem o nome dele, não ter coragem de comparecer em nenhum evento com o governo federal? Em todos, é convidado”, falou.
Ele disse que o governo propôs uma parceria com investimentos na ordem de 24 bilhões no estado, que teria sido rejeitada sem explicações por Jorginho. “Ele simplesmente não participou. Qual é o tamanho da cabeça desse cidadão, qual a qualidade da massa encefálica que tem na cabeça? É de se pesquisar”, declarou.
O presidente também disse que, se fosse ficar magoado com a votação, não iria ao estado, onde Jair Bolsonaro teve 69% dos votos no segundo turno em 2022. “Eu, se fosse igual a eles, jamais viria a Santa Catarina, afinal, perdi as eleições aqui. Eu poderia dizer não gosto, não vou, o povo de Santa Catarina não votou em mim. Ora, quem governa um país não pode pensar pequeno”, afirmou. “Eu não jogo rasteiro. Vim aqui porque esse é um estado brasileiro, estado de gente trabalhadora, de bem, e a gente não pode ficar magoado com o resultado de eleição. A gente tem que gostar de quem vota e de quem não vota.”