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O recado do líder dos caminhoneiros sobre as mudanças na MP do Piso do Frete

14 de Julho de 2026, 13:17 8 visualizações
O recado do líder dos caminhoneiros sobre as mudanças na MP do Piso do Frete

O presidente da Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landin, conhecido como Chorão, afirmou em entrevista a VEJA Negócios nesta terça-feira, 14, que os caminhoneiros não aceitarão mudanças na Medida Provisória (MP) do Piso do Frete que retirem a planilha de custo mínimo.

“A bancada do agronegócio está trabalhando para remover essa planilha. Ela estabelece de forma detalhada e justa o custo mínimo do frete. Sem ela, a MP perde o sentido”, afirmou. “Por isso, a medida precisa ser aprovada na íntegra, exatamente como saiu da Câmara dos Deputados”, completou.

Greve dos caminhoneiros: a crise de 2018 pode voltar?

A Medida Provisória nº 1.343/2026 endurece as regras para garantir o cumprimento do piso mínimo do frete rodoviário de cargas. Entre as principais mudanças, torna obrigatório o cadastramento de cada operação e a emissão do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), mecanismo que permite à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) cruzar os valores efetivamente pagos com a tabela oficial.

O texto também amplia as sanções administrativas contra embarcadores que contratarem fretes abaixo do piso mínimo. Por isso, entidades que representam caminhoneiros defendem a proposta como um instrumento para evitar a compressão dos preços em períodos de menor demanda.

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A MP foi editada em 19 de março de 2026 e já recebeu o aval da Câmara dos Deputados. Para não perder a validade, precisa ser aprovada pelo plenário do Senado até 16 de julho. Até o início das manifestações, porém, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), ainda não havia incluído a proposta na pauta de votações.

Na avaliação de Landin, a demora decorreu da disputa política entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Alcolumbre. Segundo ele, após o embate entre ambos em torno da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente do Senado teria prometido, nos bastidores, não pautar projetos assinados pelo governo.

Após a mobilização dos caminhoneiros, o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), passou a articular um acordo para viabilizar a votação da proposta. Já a senadora Tereza Cristina (PP-MS) defende alterações no texto, incluindo mudanças na proteção ao piso mínimo do frete, medida que, segundo Landin, atende aos interesses do agronegócio.

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“Queremos a medida integral, sem as modificações propostas por Tereza Cristina”, afirmou o presidente da Abrava. “Caso a MP caduque, reforçamos que vamos parar o Brasil.”

Apesar do discurso, a paralisação iniciada na segunda-feira, 13, ainda está longe de alcançar a dimensão da greve dos caminhoneiros de 2018.

O principal desafio do movimento tem sido a baixa adesão espontânea. Parte dos caminhoneiros autônomos e dos proprietários de pequenas frotas optou por continuar trabalhando diante do custo financeiro de manter os veículos parados e do desgaste provocado por sucessivas convocações para paralisações.

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Questionado sobre a ausência de bloqueios em rodovias, como ocorreu em 2018, Landin afirmou que a estratégia mudou.

“Aprendemos que bloquear estradas pode trazer consequências graves. Por isso, optamos por uma manifestação pacífica nos portos”, disse. Segundo ele, os portos de Santos, Recife e Salvador estariam com uma grande mobilização.

A reportagem procurou as administrações dos três portos para verificar a informação. Em nota, a Autoridade Portuária de Santos (APS) informou que a mobilização pacífica de transportadores autônomos, iniciada na segunda-feira, continua nesta terça-feira.

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“As operações portuárias ocorrem sem anormalidades nesta data, assim como não há registro de impactos no trânsito das vias portuárias decorrentes do protesto, estando as vias totalmente liberadas”, informou a APS.

A reportagem também procurou os portos de Recife e Salvador. Até a publicação desta reportagem, não havia recebido resposta. Por telefone, um funcionário do Porto do Recife, que pediu para não ser identificado, afirmou que as operações seguem normalmente.

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