O símbolo da virada da China no mercado de elétricos
Quando VEJA nasceu, em 1968, seria quase impossível prever que a maior transformação da indústria automobilística viria da China. Na época, o país da Ásia produzia poucos veículos e estava longe de competir com as grandes montadoras dos Estados Unidos, da Europa e do Japão. Meio século depois, a transição para carros elétricos e híbridos alterou a geografia de um dos setores mais importantes da economia. A mudança foi impulsionada por uma aposta estratégica. Enquanto fabricantes tradicionais permaneciam focadas nos motores a combustão, empresas chinesas investiram em baterias, tecnologia elétrica e produção em larga escala. O resultado é que a China se tornou líder no mercado de veículos eletrificados e passou a exportar carros para todo o mundo. A empresa que melhor simboliza essa virada é a BYD. Nascida como fabricante de baterias, ela ultrapassou a americana Tesla em vendas de eletrificados e se tornou o principal nome de uma nova geração de montadoras. Seu avanço acelerou a concorrência e ajudou a reduzir preços. O Brasil entrou nessa rota. As vendas de veículos eletrificados aqui crescem rapidamente, impelidas sobretudo pelas marcas chinesas. A liderança da BYD e a instalação de sua fábrica na Bahia mostram como o país se tornou peça importante nos planos de expansão dessas empresas. A eletrificação anda em ritmo acelerado. Mais que uma mudança tecnológica, ela representa uma reorganização da indústria, com novos protagonistas e um equilíbrio de forças diferente do que se viu por 140 anos.
Publicado em VEJA de 19 de junho de 2026, edição nº 3000