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O SporTV escalou Felipão para comentar a seleção. A Alemanha deve ter achado graça

15 de Junho de 2026, 12:24 0 visualizações
O SporTV escalou Felipão para comentar a seleção. A Alemanha deve ter achado graça

Escalar Luiz Felipe Scolari, o Felipão, para comentar os jogos da seleção brasileira é mais ou menos como convidar o capitão do Titanic para falar sobre segurança marítima. Pois é isso que o SporTV decidiu fazer nesta Copa do Mundo. Não que Felipão não entenda de futebol. Seria absurdo dizer isso de um treinador campeão mundial e dono de uma carreira vitoriosa. O problema é que existe um detalhe incontornável em seu currículo: ele foi o comandante da seleção que protagonizou o 7 a 1, o maior desastre da história do futebol brasileiro e, possivelmente, o colapso mais espetacular já sofrido por uma equipe de elite em qualquer esporte coletivo.

Estamos falando de um resultado tão inacreditável que escapou dos limites do futebol. Até hoje, quando alguém sofre uma humilhação monumental na política, nos negócios, no esporte ou na vida amorosa, a frase surge automaticamente: “Levou um sete a um”.

E agora lá está Felipão diante das câmeras, analisando os erros dos outros. Ele comentou o empate do Brasil com o Marrocos e apontou falhas defensivas, problemas de posicionamento e excesso de bolas longas. A análise faz sentido. Mas quando ele explica como a defesa deveria estar posicionada ou quando fala sobre compactação, é difícil não pensar que teria sido muito útil ouvir essas mesmas ideias numa certa semifinal disputada em Belo Horizonte.

O mais divertido será se a Copa nos presentear com um Brasil x Alemanha. O que exatamente Felipão dirá? Que é preciso manter a concentração? Que não se pode oferecer espaços aos alemães? Que o emocional precisa estar sob controle? Que os primeiros vinte minutos são fundamentais? Tudo isso estaria correto. Mas seria impossível não imaginar milhões de brasileiros pensando que essas observações teriam sido úteis naquela tarde de julho de 2014.

Como se o universo tivesse decidido zombar de Felipão mais uma vez, a Alemanha estreou nesta Copa aplicando 7 a 1 em Curaçao. O mesmo placar. A mesma Alemanha. Com um gesto só, os alemães colocaram Brasil e Curaçao no mesmo panteão histórico. De um lado, uma nação com 215 milhões de habitantes, cinco títulos mundiais e o futebol como religião nacional. De outro, uma ilha caribenha com 150 mil pessoas que acaba de estrear em Copas do Mundo. Graça a Felipão, Brasil e Curaçao estão eternizados na mesma prateleira da vergonha.

Eu estava no Mineirão naquele 8 de julho. Presenciei os sete gols ao vivo, sem a possibilidade de trocar de canal. Sei o que é ver aquele placar crescer em tempo real no telão enquanto o estádio vai ficando mudo. É o tipo de coisa que a gente carrega. Talvez por isso eu tenha dificuldade em ouvir Felipão explicando o que o Brasil deve fazer para ganhar uma Copa do Mundo.

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