Oracle corta 21 mil empregos enquanto acelera investimentos em inteligência artificial
A Oracle eliminou cerca de 21 mil empregos no último ano enquanto aumenta os investimentos em inteligência artificial e infraestrutura de computação.
O corte ocorre em meio a uma transformação no setor de tecnologia, em que grandes empresas estão reduzindo equipes tradicionais para direcionar recursos à construção de sistemas de IA.
Segundo o relatório anual da companhia, com sede em Austin, no Texas, o número de funcionários caiu de aproximadamente 162 mil no fim do último ano fiscal para cerca de 141 mil em maio, uma redução de quase 13% da força de trabalho.
A empresa registrou US$ 1,84 bilhão (cerca de R$ 10 bilhões) em custos relacionados a indenizações e reestruturação.
Gigantes de tecnologia reorganizam equipes para a era da IA
A redução de funcionários na Oracle acompanha uma tendência entre grandes empresas de tecnologia. Companhias como Amazon e Meta Platforms também fizeram cortes enquanto ampliam investimentos em inteligência artificial.
A estratégia é concentrar recursos em áreas consideradas prioritárias, como desenvolvimento de modelos de IA, computação em nuvem e infraestrutura de data centers.
Ao mesmo tempo, empresas tradicionais de tecnologia tentam competir com startups criadas já com foco em inteligência artificial, que operam com estruturas menores e maior automação de processos.
Oracle aposta bilhões em data centers
A Oracle se tornou uma das empresas mais associadas ao crescimento da infraestrutura de IA após fechar grandes contratos para fornecer capacidade computacional.
A companhia prevê investir até US$ 70 bilhões (cerca de R$ 385 bilhões) em despesas de capital neste ano fiscal, valor superior aos US$ 55,7 bilhões (cerca de R$ 307 bilhões) gastos no período anterior.
O movimento reflete uma corrida entre empresas de tecnologia para construir data centers capazes de atender à demanda por treinamento e operação de modelos de inteligência artificial.
Um dos acordos que impulsionaram a valorização da Oracle envolve a OpenAI, que teria fechado contratos de grande escala para compra de capacidade computacional da empresa.
Mercado questiona se retorno acompanhará investimentos
Apesar do entusiasmo com a inteligência artificial, investidores passaram a demonstrar preocupação com o tamanho dos gastos necessários para sustentar essa expansão.
A própria Oracle reconheceu, em documentos enviados a reguladores, que a estratégia envolve riscos. A companhia afirmou que pode não recuperar os investimentos caso seus produtos de IA tenham desempenho inferior ao esperado ou se os custos de desenvolvimento crescerem acima das previsões.
A empresa também alertou que, caso reduza os investimentos em inteligência artificial, poderá perder espaço para concorrentes.
O dilema resume um dos principais debates atuais do setor: empresas precisam gastar bilhões para acompanhar a corrida tecnológica, mas ainda não há clareza sobre quando e em que escala esses investimentos vão se transformar em lucros.
Lucro e empregos entram em nova equação
A reestruturação da Oracle mostra uma mudança no modelo de crescimento da indústria de tecnologia. Durante décadas, expansão significava contratar mais engenheiros, vendedores e equipes de suporte.
Com a inteligência artificial, companhias passaram a buscar estruturas mais enxutas e automatizadas, substituindo parte de funções existentes enquanto ampliam investimentos em infraestrutura.
Especialistas avaliam que a próxima fase da revolução da IA deve produzir uma redistribuição de empregos dentro do setor: menos vagas em algumas áreas operacionais e maior demanda por profissionais ligados a dados, computação avançada e desenvolvimento de sistemas.
O movimento da Oracle ocorre em um momento em que as maiores empresas de tecnologia do mundo apostam que a inteligência artificial será a principal plataforma de crescimento da próxima década, mas enfrentam a pressão de provar que os bilhões investidos terão retorno.