Os avanços no uso da tecnologia contra o crime em São Paulo
O Smart Dog (foto) é um dos novos aliados da cidade de São Paulo na caçada a criminosos. Programado para circular em meio a multidões, o cão-robô usa três câmeras de reconhecimento facial que captam imagens em 360 graus e transmitem os dados à central do Smart Sampa, o sistema de vigilância da prefeitura, em operação desde 2024, que se tornou o maior hub de monitoramento de segurança pública do país, com 50 000 aparelhos de vigilância. Em franca expansão, esse tipo de monitoramento tornou-se a face mais visível do uso da tecnologia contra o crime, mas não é a única. O arsenal de novidades inclui drones com reconhecimento facial, equipamentos de raio X que permitem ver através de paredes, modernas técnicas de identificação genética e a proliferação, após alguma resistência, das câmeras corporais nas polícias. A estrela da onda tecnológica é o uso da inteligência artificial, tanto para monitoramentos mais eficientes quanto para o melhor uso de informações criminais — como na análise preditiva, um sistema de consolidação de dados que permite identificar padrões nas ocorrências criminais e antecipar ações. A expansão dos sistemas se dá em ritmo acelerado. O Smart Sampa planeja virar uma espécie de franchising, com a replicação do modelo em outros municípios. Até o governo Lula, que acordou tardiamente para a questão da segurança, lançou um plano que investe em drones, bloqueadores de sinais em presídios e aparelhos para varredura de túneis. As armas tecnológicas contra o crime vieram para ficar.
Publicado em VEJA de 19 de junho de 2026, edição nº 3000