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Os ex-jogadores tornados comentaristas pelo mundo

03 de Julho de 2026, 22:09 0 visualizações
Os ex-jogadores tornados comentaristas pelo mundo

Toda Copa é assim. Com uma quantidade enorme de jogos para se transmitir, assistir e analisar, uma enxurrada de ex-jogadores são convocados pelos canais de TV para comentar as partidas. É assim no mundo todo, e o resultado, também é bastante desigual em qualquer país. Alguns encontram uma segunda carreira, outros são levados rapidamente a uma segunda aposentadoria.

Os alemães que não poupam a própria seleção – só o ex-colega

Bastian Schweinsteiger, hoje comentarista da alemã ARD, tem sido um dos mais duros críticos do próprio país nesta Copa. Criticou a seleção desde antes de a Copa começar e, depois da eliminação da Alemanha na primeira fase de mata-mata, nos pênaltis, para o Paraguai, chamou o time de “mediano” e resumiu: “Perdemos robustez, identidade e a capacidade de jogar bem”. Também colocou em dúvida a permanência do técnico Julian Nagelsmann, apontando falhas de comunicação.

Seus comentários encontraram eco entre a torcida alemã, mas eles ficaram irritados quando perceberam um certo corporativismo por parte do ex-meia, veterano da Copa de 2014. Na derrota para o Equador, quando o goleiro Manuel Neuer falhou em um gol decisivo, Schweinsteiger evitou criticá-lo diretamente e, visivelmente incomodado, só tocou no assunto quando cutucado pela apresentadora Esther Sedlaczek. Os dois foram colegas tanto na seleção quanto no Bayern Munique. Seu parceiro de bancada, o jornalista Phillipp Sommer, chamou a atenção na hora e a cena virou meme nas redes sociais.

Uma mulher e um homem sorrindo em uma cabine de transmissão de futebol. Ela, à esquerda, usa blusa preta, colar prateado e fones, segurando um microfone azul. Ele, à direita, veste terno preto e camisa branca, com cabelos grisalhos. Ao fundo, o campo verde e a arquibancada lotada de um estádio
Ex-meia alemão Schweinsteiger: duro com a nova geraçãoFederico Gambarini/Getty Images

Ingleses: da bancada saem os vereditos mais duros

Na Inglaterra, a revista FourFourTwo publicou um ranking dos comentaristas de BBC e ITV do pior ao melhor, sem papas na língua. Olivier Giroud, maior artilheiro histórico da França, ficou na última colocação. A revista reconhece que ele sofre por não ter o inglês como primeira língua, mas cutuca ao dizer que os telespectadores não deveriam sofrer junto.  César Azpilicueta foi descrito como “sólido, mas passivo demais”. E o único brasileiro do levantamento, o ex-Liverpool Lucas Leiva, ficou num meio-termo: elogiado pela vivência internacional, mas resumido como alguém que segue no piloto automático, “sorrindo educadamente” sem agregar muito além do óbvio.

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Da França, um nome que divide

Na cabine francesa da beIN Sports, quem mais divide opiniões é o argentino Omar Da Fonseca, que irrita uns, e encanta outros com seus comentários passionais. O brasileiro Sonny Anderson, ex-Vasco e seleção brasileira, faz parte do time de comentaristas da emissora desde a Copa do Catar e costuma receber elogios.

Quem trocou a bancada por formato próprio

Dois nomes de peso fizeram o caminho inverso ao da maioria: Toni Kroos e Rio Ferdinand.

Kroos poderia estar sentado ao lado de companheiros de geração como Thomas Müller e Per Mertesacker nos estúdios da ARD ou ZDF. Em vez disso, manteve o “Kroos & Kroos”, formato que já rodava no TikTok, agora dedicado ao Mundial, ao lado do irmão Felix, ex-jogador de carreira mais modesta. Recebem convidados de peso, como o técnico Arsène Wenger, e misturam análise tática com papo mais solto, sem as amarras de tempo de TV.

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Homem negro de barba grisalha e cabelo crespo curto, usando óculos de sol redondos e camiseta preta, sorri enquanto segura um microfone azul e roxo da BeIN Sports
O inglês Rio Ferdinand encontrou um caminho mais leve ao só comentar os jogos no fim do diaMatt McNulty/Getty Images

O inglês Rio Ferdinand fez um movimento parecido. Deixou a TNT Sports em agosto de 2025, encerrando dez anos como comentarista fixo de Campeonato Inglês e da Liga dos Campeões para se dedicar ao próprio canal, o “Rio Ferdinand Presents” (mais de 1,5 milhão de inscritos no YouTube). Foi convidado pela Fox, que detém os direitos de transmissão nos Estados Unidos, mas preferiu se dedicar ao próprio veículo, elogiadíssimo na imprensa e nas  redes sociais. Mas mantém um pé em cada canoa: aceitou participar do programa noturno que resume e comenta os jogos do dia com uma pegada mais leve, ao lado do comediante James Corden.

Estados Unidos: o fracasso mais comentado da temporada

Os Estados Unidos têm surpreendido o mundo com um time bastante entrosado, que chegou com autoridade às oitavas de final da Copa e promete ir longe. Os ex-jogadores, porém, têm mostrado na TV a mesma falta de talento que apresentavam nos campos. O ex-zagueiro Alexi Lalas, têm irritado espectadores, colegas de bancada – Ibrahimovic comemorou abertamente em um dia que Lalas precisou faltar – e chegou a ser vaiado no estádio de Los Angeles, na partida entre Estados Unidos e Turquia, quando seu rosto apareceu no telão. Ele tenta forçar um personagem de opiniões fortes e autoridade, mas só diz obviedades e não tem um currículo que justifique a marra.

Especialmente quando comparado a seus dois colegas de bancada, o sueco Zlatan Ibrahimović, multicampão por times da Europa, e Thierry Henry, o francês de triste memória para os brasileiros, campeão do mundo em 1998. Ibra também é alvo de críticas, mais por falta de carisma do que por não entender do esporte. Quem salva a cobertura, é justamente Thierry Henry, que além de ser um contraponto gentil e sofisticado aos companheiros, faz o dever de casa e traz an;alises táticas precisas, senso de humor discreto e paciência para lidar com Lalas sem atacá-lo diretamente. Viralizou uma cena em que driblou o ex-zagueiro num desafio de embaixadinhas no estúdio, ao vivo.

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