Os grandes vencedores desta Copa: os aplicativos
A hipertrofiada Copa do Mundo de 2026, com três países-sede e 48 seleções, vê recordes serem batidos todos os dias. Messi, seleção da Holanda, Galvão Bueno, parece que todo dia tem alguém batendo uma marca histórica. Dados exclusivos da Adjust, plataforma alemã de analytics e inteligência de mercado, mostram que o torneio provocou uma explosão no consumo digital já na largada: no dia de abertura, 11 de junho, as instalações de apps de streaming de vídeo cresceram 280% em relação à média diária das duas semanas anteriores à Copa. Os de notícias esportivas subiram 94% em downloads e 42% em sessões. Até os aplicativos de delivery avançaram 12%.
E o ritmo se manteve na primeira semana do torneio. Entre 11 e 16 de junho, os downloads de streaming seguiram em alta de 137%, enquanto as sessões de apps esportivos cresceram 71%. Os aplicativos de entrega de comida tiveram alta de 15% nos downloads.
A mesma medição foi feita em 2022, durante a Copa do Catar, e os apps de streaming haviam crescido apenas 41% na primeira semana. “Grandes eventos esportivos criam picos muito claros de atenção e consumo digital. O torcedor não acompanha apenas o jogo. Ele busca transmissões, estatísticas, notícias, comentários em tempo real e serviços que complementam essa experiência”, afirma Fernando Cabral, diretor de growth da Adjust.
O número é global, mas o Brasil certamente é dos grandes responsáveis por esse salto. Como se sabe, a CazéTV é a única plataforma a transmitir os 104 jogos da Copa, por isso quem quer ver todas as partidas não tem alternativa senão o streaming. E o canal está batendo sucessivamente o recorde mundial de maior audiência de um evento em streaming ao vivo. Na estreia da seleção contra Marrocos, foram mais de 12,7 milhões de dispositivos conectados simultaneamente, a maior audiência da história do YouTube para uma transmissão de futebol. Na segunda rodada, a vitória por 3 a 0 sobre o Haiti levou o pico a 16,1 milhões de aparelhos. No encerramento da fase de grupos, contra a Escócia, a CazéTV ultrapassou 18,6 milhões de espectadores simultâneos.
O ranking das maiores transmissões da história da plataforma, antes liderado pela aterrissagem da missão espacial indiana Chandrayaan-3 com cerca de 8 milhões de espectadores em 2023, agora é dominado pela CazéTV: os três primeiros lugares pertencem todos a jogos do Brasil nesta Copa.
A escala do evento, porém, vai além do que qualquer tela consegue mostrar. Segundo estimativa do Bank of America, os dados gerados diretamente pelo torneio, incluindo estatísticas de partidas, rastreamento de jogadores, transmissões e operações, devem superar 90 petabytes, cerca de 45 vezes o volume registrado no Catar em 2022. Quando se somam modelos de inteligência artificial, simulações, plataformas de streaming, apostas e redes sociais, o Bank of America estima que a criação total de dados pode se aproximar de 2 exabytes, o equivalente a cerca de 45 mil anos de vídeo em 4K.
A Copa de 2026 não é a primeira a ser transmitida pela internet, mas é a que mudou de vez a maneira como as pessoas vivem o torneio. As empresas de app agradecem.