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Parada técnica ou queda dos juros? Economistas opinam sobre Selic nesta quarta

16 de Junho de 2026, 14:53 0 visualizações
Parada técnica ou queda dos juros? Economistas opinam sobre Selic nesta quarta

O anúncio do presidente Donald Trump sobre o possível fim da guerra contra o Irã trouxe um alívio imediato, principalmente pela promessa de que o Estreito de Ormuz permanecerá aberto para a passagem de navios. A região é estratégica para o transporte de petróleo e fertilizantes, e qualquer interrupção no fluxo da carga poderia provocar uma nova onda de alta nos preços e ampliar a pressão inflacionária no mundo.

A guerra acabou, mas não chegou ao fim

Apesar do otimismo inicial, os especialistas defendem cautela. A economista-chefe da Lifetime, Marcela Kawait, resume o momento ao afirmar que “a guerra acabou, mas não chegou ao fim”. Segundo ela, ainda existem dúvidas sobre como será a retirada das minas da região “eles acordaram que vai ter 60 dias de cessar fogo e que o estreito de Ormuz seria reaberto”, diz.

Ela destaca ainda a dúvida em relação à aplicação das taxas anunciadas pelo Irã aos navios e ainda o tempo necessário para a normalização da logística internacional.

Dois ou três meses de ajustes

Mesmo com a retomada da navegação, Marcela estima que o mercado ainda enfrentará entre dois e três meses de ajustes até que o transporte de petróleo e fertilizantes volte completamente ao ritmo anterior. Isso significa que a volatilidade deve permanecer, especialmente porque temas delicados, como o programa nuclear iraniano e os conflitos regionais envolvendo Israel e Líbano, seguem sem uma solução definitiva.

Bancos centrais na mira

A redução das tensões no Oriente Médio, no entanto, mudou a percepção dos investidores sobre os próximos passos dos bancos centrais. Nesta terça-feira o Banco Central do Japão subiu os juros de 0,75% para 1% ao ano, igual medida foi tomada na semana passada pelo Banco Central Europeu.

Copom decide selic amanhã

No Brasil, o fim do conflito pode trazer movimento diferente, apostam economistas. Volta à mesa do Copom a possibilidade de novos cortes da taxa Selic, depois de um período em que a guerra aumentou o receio de pressões sobre os preços da energia e dificultou o ciclo de redução dos juros.

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Expectativa de queda

Kawait reconhece que “o impacto do fim da guerra nas decisões de política monetária é gigante”, e que antes do conflito a expectativa era de que o Copom cortasse os juros em 50 pontos base a cada reunião. Com o início da guerra, essa dinâmica mudou: o BC reduziu o ritmo para um corte de apenas 0,25 e o mercado passou a esperar uma manutenção (parada técnica) para a reunião de amanhã.

BC tem gordura pra queimar

O acordo entre Estados Unidos e Irã traz novas expectativas, o mercado voltou a precificar uma “grande possibilidade de corte de juros por aqui”, aposta Marcela. Coordenador de finanças do Insper e colunista de Veja, Ricardo Rocha, também acredita num corte da Selic na reunião de amanha de 0,25 (p.p).

O economista acredita que o BC tem uma “gordura” porque manteve os juros elevados por muito tempo, “mas acho que só o comunicado do Comitê é que vai nos dar uma linha de raciocínio, argumenta Rocha.

Extrema incerteza

Em suma, o palpite dos dois economistas não é de uma decisão garantida, mas sim de um cenário de extrema incerteza, onde o Copom decidirá entre aproveitar a sinalização de paz para voltar a cortar juros ou manter a taxa parada para observar se o acordo de fato se concretiza nos termos práticos.

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Decisão também nos EUA

Nos Estados Unidos, o cenário também ficou menos pressionado. A expectativa de novas altas nos juros pelo Federal Reserve diminuiu, já que um petróleo mais comportado reduz riscos adicionais para a inflação americana. Ainda assim, a decisão do Fed será acompanhada de perto pelos mercados, principalmente pelos sinais sobre o ritmo da política monetária nos próximos meses.

Humor dos mercados

O resultado dessa combinação entre geopolítica, petróleo e política monetária deve ditar o humor dos mercados daqui para frente. O fim do conflito pode abrir uma janela de maior tranquilidade, mas os próximos capítulos no Estreito de Ormuz, as decisões do Copom e do Federal Reserve e os desafios fiscais brasileiros continuarão no centro das atenções dos investidores.

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