Pesquisa: os grupos que fizeram a diferença entre Lula e Flávio encurtar
A nova rodada da pesquisa BTG/Nexus indica um cenário de estabilidade no primeiro turno, mas com redução da distância entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro em uma eventual disputa de segundo turno. Em entrevista ao VEJA em Foco, apresentado por Marcela Rahal, o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, afirmou que a vantagem de Lula caiu de seis para três pontos percentuais, movimento que, embora esteja dentro da margem de erro, representa uma mudança em relação ao levantamento anterior (este texto é um resumo do vídeo acima).
Segundo Tokarski, as entrevistas foram realizadas entre sexta-feira e domingo, após dois fatos de grande repercussão política: a operação da Polícia Federal envolvendo o então líder do governo no Senado, Jaques Wagner, e a divulgação de um vídeo da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro com críticas a Flávio Bolsonaro. Para ele, os acontecimentos já tiveram tempo de produzir efeitos na percepção do eleitorado.
“O primeiro turno não muda. Lula permanece com 42%, Flávio oscilou de 33% para 34%, absolutamente dentro da margem de erro. Mas, no segundo turno, a diferença encurtou”, afirmou.
Quais eleitores impulsionaram Flávio Bolsonaro?
De acordo com Tokarski, o avanço registrado por Flávio Bolsonaro não veio do núcleo mais fiel do bolsonarismo, mas de um grupo que a pesquisa classifica como “bolsonaristas por alternativa”. São eleitores que rejeitam Lula, mas não são identificados como bolsonaristas convictos e aceitam votar em um candidato ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Esse segmento representa cerca de 9% do eleitorado e, segundo o CEO da Nexus, concentrou praticamente todo o crescimento observado na intenção de voto do senador.
O vídeo de Michelle Bolsonaro teve impacto?
Apesar da repercussão política, Tokarski afirmou que a pesquisa não identificou efeitos negativos para Flávio Bolsonaro decorrentes do vídeo divulgado pela ex-primeira-dama.
Segundo ele, havia expectativa entre analistas de que o episódio pudesse afetar especialmente o eleitorado feminino. Os dados, porém, mostram estabilidade entre homens e mulheres. O crescimento registrado pelo senador ocorreu principalmente entre os eleitores do sexo masculino.
Como os casos recentes influenciaram a disputa?
Na avaliação do CEO da Nexus, a operação da Polícia Federal envolvendo Jaques Wagner pode ter aproximado o campo governista das investigações relacionadas ao Banco Master, tema que vinha sendo mais associado ao campo da direita.
Ao comentar o ambiente político, Tokarski afirmou que o país voltou a viver uma lógica semelhante à da eleição de 2022, marcada pela forte polarização entre os dois principais campos políticos.
“Cada um compra a versão do seu campo político”, resumiu.
Por que os eleitores não polarizados ganharam importância?
Para Tokarski, o principal foco da campanha deve estar nos cerca de 20% do eleitorado classificados como não polarizados. São eleitores que não demonstram forte identificação nem com Lula nem com o bolsonarismo e que já alternaram seus votos entre diferentes campos políticos nas últimas eleições.
Segundo ele, é justamente nesse grupo que Lula mantém hoje sua principal vantagem sobre Flávio Bolsonaro, embora também seja o segmento com menor grau de fidelidade eleitoral.
“O comportamento desse ‘swing voter’ é o que a gente vai precisar observar até o dia 4 de outubro”, afirmou.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual VEJA em Foco (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.