Pesquisadores descobrem que bilíngues apresentam atividades cerebrais semelhantes ao falar diferentes idiomas
Pesquisadores descobrem que pessoas bilíngues, ao falarem diferentes idiomas, apresentam padrões de atividade cerebral semelhantes. O novo estudo publicado na última segunda-feira, 15, na revista JNeurosci, rebate teorias anteriores nas quais acreditavam que os seres humanos processavam as línguas de formas distintas.
As primeiras pesquisas sobre o tema viam no ato de falar uma segunda língua como um acréscimo ou perturbação ao processamento daquela nativa. Mais tarde, cientistas descobriram que o cérebro de bilíngues tendiam a apresentar diferenças físicas como, por exemplo, uma substância branca mais eficiente ou alterações na substância cinzenta. Além disso, acreditava-se que poliglotas tinham um melhor desempenho em tarefas de memória e concentração.
Com o objetivo de entender melhor o funcionamento do cérebro, a equipe do estudo publicado nesta segunda-feira reuniu 23 falantes de espanhol e inglês. Os pesquisadores pediram para que os voluntários poliglotas falassem uma palavra no singular, no plural ou apenas as repetissem sem nenhuma alteração em diferentes idiomas.
Enquanto isso, suas atividades cerebrais eram registradas e monitoradas por um scanner de magnetoencefalografia. As imagens eram realizadas antes, durante e depois de cada ação dos participantes.
Os cientistas descobriram que os padrões de processamento de seus cérebros eram praticamente iguais, independente do participantes estarem falando inglês ou espanhol. Além disso, o estudo forneceu mais evidências e confirmou resultados de outras pesquisas da área. Por exemplo, alinhado às informações já conhecidas, percebeu-se que a principal área cerebral responsável pela elaboração da estrutura gramatical de frases é o lado frontal esquerdo.
Nesse sentido, a psicóloga e neurocientista Esti Blanco-Elorrieta, da Universidade de Nova York, uma das autoras do estudo, afirmou que a compreensão gramatical de línguas diversas são compreendidas e interpretadas a partir de uma mesma região no cérebro.
Agora, o grupo de pesquisadores de Blanco-Elorrieta pretende estudar padrões de atividade cerebral envolvendo, por exemplo, situações que demandam a interpretação da sintaxe em diferentes idiomas.