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Planeta rosa pode ter nuvens de sal, revelam observações do James Webb

28 de Junho de 2026, 18:22 0 visualizações

Um exoplaneta conhecido por sua coloração rosada pode esconder um fenômeno incomum em sua atmosfera. Observações feitas pelo Telescópio Espacial James Webb indicam que o GJ 504b provavelmente possui nuvens formadas por sais, um tipo de composição nunca identificado dessa forma em um objeto semelhante.

O estudo foi publicado na revista The Astrophysical Journal em 18 de junho e analisou o planeta usando dados obtidos pelo James Webb, capazes de revelar a composição química de atmosferas por meio da luz emitida pelos corpos celestes.

Descoberto em 2013, o GJ 504b fica a cerca de 57 anos-luz da Terra e orbita uma estrela parecida com o Sol. Apesar de ser chamado de planeta, sua natureza ainda não está totalmente definida.

Os cientistas o classificam como um objeto de massa planetária, já que ele pode ser tanto um planeta gigante quanto uma anã marrom, corpo considerado uma espécie de “estrela fracassada“.

Como os cientistas chegaram à conclusão

Os pesquisadores analisaram o espectro do objeto, uma técnica que permite identificar quais substâncias estão presentes na atmosfera a partir da luz captada pelo telescópio.

Inicialmente, os modelos não conseguiam explicar as características observadas. A situação só mudou quando os cientistas incluíram a presença de nuvens na simulação.

Entre os diferentes cenários testados, o que melhor reproduziu os dados foi o de nuvens compostas por sais, possivelmente cloreto de potássio ou sulfeto de zinco.

Segundo os autores, essas nuvens ajudam a explicar por que algumas moléculas mais profundas da atmosfera aparecem parcialmente ocultas nas observações feitas pelo James Webb.

Atmosfera rica em diferentes compostos

Além das possíveis nuvens salgadas, o estudo encontrou indícios de uma atmosfera formada por água, metano, monóxido de carbono, amônia e sulfeto de hidrogênio.

As novas observações também sugerem que o GJ 504b é mais antigo e mais massivo do que estimativas anteriores indicavam. O objeto teria cerca de 25 vezes a massa de Júpiter, mas um tamanho apenas 10% menor que o do maior planeta do Sistema Solar.

Outra característica que chamou a atenção dos pesquisadores é sua temperatura relativamente baixa para um objeto desse porte. Enquanto muitos gigantes gasosos jovens permanecem extremamente quentes, o GJ 504b apresenta temperatura estimada em cerca de 290 °C, considerada baixa para esse tipo de corpo celeste.

O que a descoberta significa

Os pesquisadores afirmam que compreender a composição atmosférica de objetos como o GJ 504b ajuda a reconstruir sua origem e evolução.

A análise também encontrou uma alta quantidade de elementos como carbono, oxigênio e, possivelmente, enxofre em relação à estrela que ele orbita. Segundo os autores, esse resultado reforça a hipótese de que o objeto tenha se formado como um planeta em um disco de gás e poeira, e não como uma estrela que não conseguiu completar seu desenvolvimento.

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