Polônia retira principal honraria de Zelensky e abre crise diplomática com Ucrânia
O presidente da Polônia, Karol Nawrocki, decidiu revogar nesta sexta-feira, 19, mais alta condecoração do país concedida ao presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, em uma medida que ameaça aprofundar as tensões entre dois aliados estratégicos desde o início da guerra contra a Rússia.
A retirada da Ordem da Águia Branca — a mais alta honraria concedida pelo Estado polonês — de Zelensky foi motivada pela decisão do governo ucraniano de batizar uma unidade militar como “Heróis do UPA”, em referência ao Exército Insurgente Ucraniano (UPA), grupo nacionalista que atuou durante a Segunda Guerra Mundial.
Em comunicado, Nawrocki afirmou que a homenagem tornou incompatível a manutenção da condecoração concedida ao líder ucraniano.
O episódio ocorre em um momento particularmente delicado para as relações entre os dois países. Desde a invasão russa à Ucrânia, em 2022, a Polônia tornou-se um dos principais apoiadores de Kiev, oferecendo ajuda militar, apoio político e acolhimento a milhões de refugiados. A controvérsia surge poucos dias antes de uma conferência internacional sobre a reconstrução da Ucrânia prevista para ocorrer em Gdansk, no norte da Polônia.
A reação do governo ucraniano foi imediata. O ministro das Relações Exteriores, Andrii Sybiha, classificou a decisão como equivocada e afirmou que a medida enfraquece a cooperação entre os dois países.
“A decisão de retirar a Ordem da Águia Branca do presidente da Ucrânia é um erro estratégico do presidente da Polônia que só beneficia Moscou”, escreveu o chanceler em publicação nas redes sociais.
A disputa sobre o UPA
A controvérsia tem origem em interpretações radicalmente diferentes sobre o papel histórico do Exército Insurgente Ucraniano.
Para parte da sociedade ucraniana, os integrantes do UPA são vistos como símbolos da resistência nacional e da luta pela independência do país diante da dominação soviética e de outras potências estrangeiras. O grupo combateu tanto as forças nazistas quanto o Exército Vermelho em diferentes momentos do conflito.
Na Polônia, porém, a memória da organização está associada aos massacres da Volínia, série de ataques ocorridos entre 1943 e 1945 em territórios que hoje pertencem à Ucrânia. Segundo autoridades polonesas, cerca de 100 mil civis poloneses foram mortos por nacionalistas ucranianos durante a campanha. Historiadores também registram que milhares de ucranianos morreram em represálias promovidas por grupos poloneses.