Presa por fraude eletrônica, "Pocahontas" liderava esquema de apostas
Uma das principais operadoras financeiras de um robusto esquema de fraudes, estelionatos e lavagem de dinheiro, Lara Daniella Oliveira Cruz, conhecida no submundo do crime como “Pocahontas”, seria proprietária e administradora de um canal no Telegram voltado para jogos de azar e apostas eletrônicas. “Pocahontas” foi presa nessa quarta-feira (1º/7) durante a Operação Black Card, deflagrada pela Divisão de Análise de Crimes Virtuais da Coordenação de Repressão às Fraudes (DCV/CORF).
Veja vídeo da operação:
Segundo as investigações, “Pocahontas” é suspeita de integrar o núcleo operacional e financeiro do grupo criminoso, sendo responsável por prestar apoio logístico às fraudes eletrônicas. Ela coordenava a movimentação e a ocultação dos valores obtidos ilegalmente e administrava o recebimento de grande parte dos recursos.
A Justiça decretou a prisão temporária de Lara Daniella Cruz por cinco dias, prazo que pode ser prorrogado pelo mesmo período, conforme o andamento das investigações.
A coluna Na Mira tenta localizar a defesa da investigada. O espaço permanece aberto para manifestações.
Ostentação e vida de luxo
Nas redes sociais, Lara exibia uma rotina de viagens e ostentação. A investigada publicava registros em destinos turísticos de luxo, incluindo praias exclusivas do Nordeste brasileiro e viagens internacionais para destinos como Dubai, onde compartilhava passeios e experiências em cenários paradisíacos.
Antes de ser presa, a investigada — que está noiva — publicou nas redes sociais as caixas de presentes destinadas aos padrinhos e madrinhas de casamento, incluindo amostras do whisky Jack Daniels e itens da marca de luxo Gucci, evidenciando um padrão de ostentação associado ao apelido “Pocahontas”.
Para os investigadores, esse padrão de vida seria incompatível com a renda declarada. O caso é analisado no contexto da apuração patrimonial.
Operação Black Card
Durante a operação, policiais civis cumpriram 18 mandados judiciais, sendo sete de prisão temporária e 11 de busca e apreensão.
De acordo com a apuração da PCDF, os investigados obtinham dados bancários e cartões de terceiros de forma ilícita e utilizavam maquininhas de pagamento registradas em nomes de pessoas físicas e jurídicas de fachada.
Para ampliar os lucros, os acusados criavam links falsos de cobrança e pulverizavam os valores recebidos por meio de empresas recém-abertas e contas bancárias de laranjas, dificultando o rastreamento do dinheiro.
Mais sobre a operação
- Nas diligências, os policiais apreenderam grande quantidade de dinheiro em espécie, relógios de luxo, aparelhos celulares e chips telefônicos.
- Foi apurado que, após a prisão de um dos líderes da organização em operação policial anterior, outros integrantes adotaram medidas para dificultar o trabalho da polícia.
- Entre as medidas tomadas pelos criminosos, estavam a exclusão de perfis em redes sociais, a troca frequente de números de telefone e a redução das aparições públicas.
- Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, estelionato eletrônico, invasão de dispositivo informático, além de furto mediante fraude eletrônica, falsidade ideológica e inserção de dados falsos em sistemas públicos.


