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Que sorte a nossa: esta é a Copa do Mundo mais emocionante de todos os tempos

02 de Julho de 2026, 10:05 0 visualizações
Que sorte a nossa: esta é a Copa do Mundo mais emocionante de todos os tempos

Todo torcedor apaixonado sabe como é bom ganhar um clássico nos acréscimos, eliminar o maior rival nos pênaltis ou assistir ao gol da vitória quando o relógio já não dava mais esperança. São momentos que justificam qualquer sofrimento, transformam jogadores em lendas e permanecem vivos na memória muito depois do apito final. Nesta Copa do Mundo, esse roteiro tem se repetido jogo após jogo.

Olhe para o que aconteceu apenas nos primeiros jogos do mata-mata. O Canadá marcou o gol da vitória aos 47 minutos do segundo tempo. Mais dramática ainda foi a vitória do Brasil, que decidiu a partida aos 50. O Paraguai avançou nos pênaltis após partida dramática contra a Alemanha. Marrocos empatou aos 46 da etapa final antes de eliminar a Holanda também nas penalidades. A Noruega fez o gol da classificação aos 41. E o drama da Inglaterra? Os ingleses passaram mais de uma hora perdendo para a República Democrática do Congo: saíram atrás aos 7 minutos, empataram só aos 30 do segundo tempo e viraram aos 41 graças ao talento de Harry Kane. A Bélgica foi ainda mais abusada com os cardíacos: perdia por 2 a 0 até os 40 minutos da etapa final, diminuiu aos 41, empatou aos 44 e só completou a virada na prorrogação. Apenas França e México resolveram suas vidas sem sofrimento.

Existe uma explicação simples para isso: a distância entre as seleções nunca foi tão pequena. O futebol se globalizou, os jogadores estão espalhados pelos mesmos campeonatos, os treinadores estudam os mesmos adversários e as mesmas ideias circulam pelo mundo inteiro. Carlo Ancelotti resumiu bem o fenômeno ao dizer que já não existem seleções desorganizadas. Todo mundo trabalha, aprende e evolui. A diferença continua existindo, mas ela aparece muito mais na qualidade individual  do que na organização coletiva.

Hoje existe estatística para tudo. Probabilidade de vitória, gols esperados, mapas de calor, inteligência artificial, modelos preditivos. Nunca soubemos tanto sobre futebol. E, curiosamente, nunca foi tão difícil prever o que vai acontecer. O escritor Ian McEwan disse recentemente que a inteligência artificial não ameaça a literatura porque não sente dor e não transa. Ou seja, não vive a experiência humana.

Talvez o futebol obedeça à mesma lógica. Nenhum algoritmo é capaz de antecipar o desespero de um time que se lança ao ataque nos acréscimos, o erro provocado pelo nervosismo, a coragem de quem já não tem nada a perder ou a explosão de um estádio inteiro depois de um gol improvável. Enquanto o inesperado continuar entrando em campo, nenhuma inteligência artificial será capaz de explicar por que o futebol continua fascinando tanto.

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